Curitiba- ''A Igreja se tornou a mola propulsora de movimentos populares e sociais, propiciou a articulação destes movimentos e é vista como a raiz de diversas organizações. Ela reforçou seu papel no apoio às lutas populares no Brasil''. Essa é a avaliação do bispo emérito de Goiás e presidente nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Tomás Balduíno, que participou ontem pela manhã da comemoração dos 25 anos de prelado de dom Ladislau Biernaski, bispo auxiliar de Curitiba.
A CPT apóia a reforma agrária que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) propõe. Mas, segundo dom Tomás, para o governo federal, o compromisso com a reforma agrária toca no âmbito econômico. ''O governo não quer romper os compromissos monetários. Se a questão fosse mais social, já estaríamos com meio caminho andado'', avalia. Para dom Tomás, já é um grande passo o governo ter aprovado o plano de reforma agrária para este ano, ''embora não tenha cumprido com o compromisso inicial de assentar o dobro de pessoas''. Ele afirma: ''As organizações populares se consideram da mesma trincheira que o Lula. E querem ter a liberdade de contestar.''
Para dom Ladislau, que foi vice-presidente nacional da CPT há dois anos, a reforma agrária precisa ser melhor organizada. O bispo afirma que cerca de 2% de proprietários de terras possuem mais da metade do total de terras no País. ''Deveria ser instituída uma emenda constitucional limitando o tamanho das propriedades. Em todos os países que realizaram a reforma agrária existe limitação'', disse dom Ladislau.
A CPT também é contra alimentos transgênicos e o uso de agrotóxicos. ''Incentivamos pequenos agricultores que trabalham sem o uso de agrotóxicos e sem o uso de transgênicos. Para a utilização de sementes transgênicas, existe uma patente, ou seja, uma dominação, o pagamento de royalties. Se for comprovado que os transgênicos não fazem mal à saúde, se houver vantagem na utilização do transgênico, que a utilização das sementes não seja uma concessão particular'', argumentou dom Ladislau.
Na comemoração de dom Ladislau, representantes de pastorais e entidades sindicais e de classe se reuniram para um café da manhã colonial agroecológico. Foram servidos produtos típicos do Paraná doados pelas pastorais e por agricultores que, nesses 25 anos, receberam o apoio de dom Ladislau. Também foi celebrada missa solene na Catedral Basílica de Curitiba.
Dom Ladislau nasceu em Campo Magro, então município de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, em 24 de outubro de 1937. Seus pais, imigrantes poloneses, tiveram nove filhos e sempre trabalharam na agricultura.

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