Movimento sindical desafia MST
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de agosto de 1997
Agência Folha Campo Grande 
O Movimento Sindical de Trabalhadores Rurais (MSTR), que congrega 61 sindicatos e 150 mil filiados, ameaça a hegemonia do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na pressão pela reforma agrária no Mato Grosso do Sul. Em números, o MSTR já é maior do que o MST no Estado. Se fosse preciso, faríamos uma nova ocupação por dia durante 70 dias, afirmou Geraldo Teixeira de Almeida, 50, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri). A Fetagri é a entidade que representa os sindicatos e centraliza as táticas de invasão e negociações com o governo.
De janeiro de 96 a maio último, o MSTR organizou 26 acampamentos de trabalhadores sem terra, a maioria após despejos de fazendas invadidas, envolvendo 3.012 famílias. O MST conta com cerca de 2.700 famílias em sete acampamentos, incluindo o maior do País, em Itaquiraí (sul do Estado), com 2.163 famílias.
Segundo Almeida, o MSTR se diferencia do MST por não realizar uma oposição sistemática ao governo federal. Nós queremos andar junto com o Incra, afirma Almeida, apesar de ressaltar que, em sua opinião, a reforma agrária promovida pelo governo está andando a passos de jabuti.
Outra diferença, diz o presidente da Fetagri, é que o MSTR cadastra apenas trabalhadores rurais dos mesmos municípios onde ocorrem as invasões. Segundo Almeida, o MSTR não incentiva invasões de terra e bloqueios de rodovias e pedágios, apesar de os sindicatos já terem realizado esses tipos de ações. Quando acontece, damos apoio e orientação. Mas nunca estimulamos, diz.
O MSTR existe em todo o País desde a década de 60 - como uma consequência da criação dos sindicatos de trabalhadores rurais -, mas só no último ano e meio passou a intensificar invasões de fazendas no Estado do Mato Grosso do Sul. O líder do MSTR em cada município é o próprio presidente do sindicato dos trabalhadores.
A Fetagri não é ligada a nenhuma central sindical, ao contrário da entidade que a representa em Brasília, a Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura (Contag), que em 1995 filiou-se à Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Os dirigentes da Fetagri dizem que as estratégias do MSTR têm funcionado. Eles afirmam que a maioria das 2.584 famílias assentadas pelo Incra em 12 projetos no Estado saiu de invasões realizadas pelo MSTR. Na semana passada, o MSTR comemorava mais uma pequena vitória sobre o MST: 38 famílias deixaram um acampamento do rival, em Bataiporã (sul do MS), e se filiaram ao sindicato local.


