Londrina - Cerca de 400 moradores de Ivaiporã (Norte) realizaram um protesto na tarde de ontem. A dona de casa Marlene Tiago foi quem organizou o movimento chamado ''Ivaiporã pede socorro'', distribuindo panfletos, e-mails e chamadas em rádios desde a semana passada.
''Está faltando tudo na cidade. As ruas estão esburacadas, a saúde está uma vergonha, nos ônibus escolares as crianças parecem que estão numa lata de sardinhas'', esbravejou Marlene. O aposentado Jorge Machado Bonfim vive há mais de 50 anos na cidade. ''Estou aqui desde a época que não tinha nem prefeito'', disse. Segundo ele, a cidade nunca passou por um período tão difícil. ''Tenho que tomar remédio para pressão, mas não tem no postinho'', lamentou.
Lourdes Rosa Martins, que acompanhava a movimentação de longe, também reclama da falta de medicamentos. ''Preciso tomar remédios de colesterol e diabetes, mas como não tem mais estou precisando comprar'', disse a mulher, que vive da aposentadoria dela e do marido.
Para a comerciante Nilza Daniel, o município aparenta estar abandonado. ''Até para andar nas ruas está difícil. Esses dias quase morreu um rapaz de moto que tentou desviar de um buraco'', comentou.
O presidente da Associação de Moradores da Vila Rural de Ivaiporã, Marcos Aquino, afirmou que teve de se mudar para a cidade devido à falta de condições da localidade. ''Quando chove é impossível sair de lá por causa das condições da estrada. Já está crescendo mato no meio dela'', disse.
Os manifestantes se reuniram por volta das 14 horas em frente a uma grande loja de varejo na Área Central e caminharam cerca de 500 metros até a prefeitura. Um carro de som foi utilizado no protesto. A organizadora do movimento Marlene Tiago disse que a iniciativa não teve motivação política. ''Paguei tudo do meu próprio bolso. Não tem nenhum político por trás disso'', afirmou. Ainda na tarde de ontem, uma comissão formada por dez manifestantes foi recebida pelo prefeito Cyro Fernandes.
Ele ouviu queixas sobre as condições do atendimento de saúde pública e também acerca das condições da infraestrutura da cidade. E se defendeu alegando que está ''fazendo o possível pela cidade.''
''Herdei uma prefeitura quebrada. A promotoria da cidade já entrou com uma ação contra o ex-prefeito requisitando a devolução de R$ 10 milhões. Esse dinheiro que foi desviado lá atrás está fazendo falta hoje'', atacou.
Segundo Fernandes, a população consegue enxergar os buracos no asfalto, mas não vê os ''buracos invisíveis'' financeiros deixados por administrações anteriores. ''Eu só quero ser julgado justamente por aquilo que fiz e não pelos erros dos outros'', finalizou.

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