Movimento pró-salário de R$ 177 toma conta de Brasília no domingo
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Christiane Samarco 
Brasília, 18 (AE) - O movimento popular contra o salário mínimo de R$ 151 vai se instalar em Brasília no domingo de Páscoa. Cerca de mil aposentados vão acampar no gramado em frente ao Congresso e permanecerão no local até a votação da medida provisória que fixa o mínimo, prevista para quarta-feira (26). No programa dominical, uma missa pela "conversão" de deputados e senadores em favor do mínimo mais generoso, de R$ 177. A manifestação é comandada pelos deputados Luiz Antônio Medeiros (PFL-SP) e Paulo Paim (PT-RS).
A agenda do movimento foi montada hoje, em reunião da qual participaram representantes das três grandes centrais sindicais (CUT, CGT e Força Sindical), de 11 confederações e sete federações de trabalhadores das mais diversas categorias, entre elas a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Confape).
Mas a vigília contra os R$ 151 não ficará restrita a Brasília. Os organizadores do movimento querem instalar painéis com os nomes dos parlamentares e a tendência de voto de cada um na Cinelândia, centro do Rio, e na Praça da Sé, em São Paulo. Os dois locais também deverão abrigar telões para que o povo possa acompanhar, ao vivo, a votação do dia 26.
"O núcleo do movimento fará reuniões diárias e vai atualizar os painéis que deverão ser espalhados pelo menos nas capitais", diz o deputado Medeiros. Ele próprio decidiu passar os feriados da Semana Santa em Brasília, para dedicar-se ao movimento.
Todos os sindicatos filiados às centrais vão participar da mobilização, convertendo-se em "quartéis-generais" do movimento. Na entrada dos prédios haverá faixas com os dizeress: "Estamos de olho em você, Congresso". E para que nenhum parlamentar duvide disso, os sindicatos mandarão telegramas aos 513 deputados e 81 senadores, não só pedindo o voto contra os R$ 151, mas também prometendo divulgar a opção do político, seja ela qual for. "Nosso lema é o Congresso em sintonia com o povo", insiste Medeiros.
A seu ver, o que facilita a vida do Congresso em votações polêmicas como a do mínimo é a certeza da impunidade. "O parlamentar não se importa de votar contra o povo, porque seu voto não é transmitido ao vivo e o povo não toma conhecimento dele", explica Medeiros. Além dos painéis, os sindicalistas distribuirão panfletos em locais de grande circulação, como rodoviárias, pedindo aos eleitores que pressionem seus deputados.
O trabalho também incluirá a articulação dentro do Congresso, para ganhar votos de governistas. A estratégia vai começar com o levantamento de todos os nomes dos candidatos a prefeito em outubro.
Os adversários do governo também estão trabalhando o voto dos ruralistas e dos evangélicos, onde já têm apoios expressivos. Também na mira do movimento, os dissidentes do PMDB que participam do chamado Movimento Democrático de Base (MDB), e os governistas que integram a bancada da saúde.


