Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), liderados por João Pedro Stédile, protocolaram ontem um pedido de audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio do Planalto. Stédile desejava conversar com José Lucena, chefe de gabinete do presidente, para lhe falar sobre as dificuldades que estão sendo enfrentadas pelos sem-terra por causa da descentralização da reforma agrária. ‘‘Há um impasse e muitos governadores, quando viram que ganharam um novo problema - a reforma agrária passará a ser feita pelos Estados, a partir de convênio assinado na semana passada com o governo federal - se dispuseram a acompanhar as lideranças do MST na audiência com o presidente’’, disse Stédile, que acusa Fernando Henrique de suspender a distribuição de terras desde as eleições do ano passado.
O documento é assinado não só pelo MST, mas também pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pelas demais entidades que integram o Fórum Nacional pela Reforma Agrária. Segundo o líder do movimento, há 30 mil pessoas acampadas em frente aos palácios de governo em vários Estados, aguardando solução para os seus problemas. Os governadores procurados alegaram que não têm como resolver o problema porque não dispõem de dinheiro para promover os assentamentos. No último dia 13, em cerimônia no Planalto, 15 governadores assinaram convênios com o governo federal de descentralização da reforma agrária.
‘‘Acho que eles não leram os termos dos contratos e agora estão assustados com a responsabilidade porque não têm dinheiro’’, afirmou Stédile, ao contar que o governador do Paraná, Jayme Lerner, por exemplo, ao se encontrar com as lideranças do movimento disse que ele não poderia resolver nada, que era com a área federal. Lerner foi um dos 15 a assinar o convênio.
Para Stédile, essa descentralização na reforma agrária ‘‘não deu certo e nem tem futuro’’. ‘‘É a tese do me engana que eu gosto’’. O líder do MST informou ainda que a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, se dispôs a intermediar uma solução para o impasse e governadores como da Bahia, César Borges, e de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, se dispuseram a acompanhas as lideranças rurais em audiência no Planalto, assim como a telefonar para o presidente.
João Pedro Stédile afirmou que não procurou nem o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nem o Ministério de Política Fundiária ‘‘porque eles não resolvem nada’’. ‘‘Nós já levamos essa pauta para eles e não adiantou nada’’, reagiu o líder do MST. ‘‘Há um impasse que só pode ser resolvido pelo presidente Fernando Henrique’’, observou, acentuando que, ‘‘como ele (o presidente) diz que gosta de conversar, então vamos conversar’’.

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