Líderes do MST estiveram reunidos ontem com a Superintendência do Incra e diretores da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná para pedir mais agilidade nos assentamentos e também na liberação de verbas para os trabalhadores já assentados. Os manifestantes, que estiveram ontem em Curitiba, conseguiram fechar acordo com a secretaria para formar comissão, que vai formular projetos para a obtenção de recursos do programa ‘‘Paraná 12 Meses’’. Já a discussão no Incra, que começou pela manhã, não tinha sido concluída até ontem à noite.
A reunião no Incra começou tumultuada, com ameaça de invasão pelos sem-terra. No entanto, mais tarde, os ânimos foram acalmados, com a subida da comissão de negociação. ‘‘O Incra vai agir pacificamente e considera esse encontro como de rotina’’, afirmou o superintendente do Incra, Petrus Emile Abib.
O coordenador do MST no Paraná, Roberto Baggio, disse que o movimento quer que o governo cumpra a meta deste ano, que é assentar seis mil famílias. Segundo ele, apenas 298 das sete mil famílias de sem-terra teriam sido assentadas em 1998. ‘‘Este número está errado, já que o Incra assentou 3,5 mil famílias neste ano’’, rebateu Petrus Abib. Porém, Baggio questionou que o total mostrado pelo governo federal que estaria colocando no ‘‘mesmo saco’’, com as assentadas, famílias que tiveram a emissão de posse (título de posse da terra).
Abib afirmou que o governo federal vai conseguir cumprir a meta deste ano, de seis mil famílias. Ele disse que das 120 áreas a serem desapropriadas, metade estaria em fase final. Com isso, ele afirmou que 60 mil hectares já estariam nas mãos do MST. ‘‘Isso não acontece, tanto que estamos pedindo a liberação de 80 áreas em situação crítica’’, disse Célio Rodrigues, um dos líderes do MST.

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