Movimento pára as Ceasas do Paraná. Hortis apodrecem
Valmir Denardin,
Cláudia Lopes e
Vânia Casado
As Centrais de Abastecimento do Paraná (Ce asa) pratica mente pararam o trabalho on tem em razão da greve dos cami nhoneiros. Em Foz do Iguaçu, a Arufi, associação que reúne os 80 atacadistas da Ceasa no município, decidiram ontem ingressar na Justiça com pedido de indenização pelos prejuízos sofridos com o bloqueio provocado pelos caminhoneiros. Os associados têm 60 cargas retidas em rodovias do Paraná. Segundo o presidente da Arufi, Alcindo Milhorança Júnior, o prejuízo desses empresários já atinge, no mínimo, R$ 1 milhão.
Mesmo se as cargas forem liberadas hoje (ontem), 90% delas já estão perdidas, por serem perecíveis, disse Milhorança Júnior. Desde domingo, nenhum caminhão chegou carregado à Ceasa em Foz do Iguaçu - a terceira maior unidade do Estado, atrás apenas de Curitiba e Londrina, com movimentação mensal de R$ 5,5 milhões e 115 mil toneladas de produtos.
A Arufi contratou um escritório de advogados para ingressar com a ação de indenização na Justiça, o que pode ocorrer hoje. Os advogados vão decidir a que instância recorrer (provavelmente a Justiça Federal) e quem será acionado (se o governo estadual, o governo federal, os sindicatos de caminhoneiros, as concessionárias de pedágio nas rodovias ou todos essas instituições juntas).
Em Londrina, empresas e produtores da Ceasa estão deixando de vender entre 600 toneladas e 700 toneladas de hortifrutigranjeiros por dia. O prejuízo diário na Ceasa é de cerca de R$ 550 mil, segundo o gerente da central em Londrina, Paulo Cesar Venturin. Hoje, eles vão distribuir alimentos às entidades assistenciais.
Venturin recomenda que os pequenos produtores adiem as colheitas o máximo possível para evitar perdas. A Central tem 65 empresas e 1 mil produtores cadastrados. Ele acredita que, a partir de hoje, haverá problemas de abastecimento de mercadorias em Londrina. Por enquanto, os produtores de hortifrutigranjeiros da periferia da cidade estão conseguindo atender os mercados, evitando rodar pelas rodovias.
Em Curitiba, as cooperativas e agroindústrias começam a contabilizar os prejuízos. O setor mais prejudicado é o de perecíveis como laticínios, carnes e hortifrutigranjeiros. O movimento de entrega de produtos hortifrutigranjeiros na Ceasa de Curitiba caiu 70%, ontem. A Ocepar e a Faep fizeram apelos à direção dos grevistas e ao governo estadual, ontem à tarde, para que tentassem negociar pelo menos a liberação do trânsito de cargas perecíveis para evitar o desabastecimento e o acúmulo de prejuízos aos produtores.
A cooperativa Sudcoop, do Sudoeste, recorreu ao Judiciário e conseguiu uma liminar para que os caminhões da cooperativa possam retirar leite das propriedades, mas os grevistas não reconhecem o documento e não permitem a passagem, afirmou o diretor Elias José Zydek. Segundo ele, não há o que fazer para os grevistas atenderem o Judiciário, nem a polícia tem contingente suficiente para dar suporte ao trânsito da carga.
A Comaves, abatedouro de aves de Londrina vai recorrer ao Judiciário hoje, caso o movimento persista. O diretor Rogério Muniz disse que a empresa está deixando de abater 65 mil frangos por dia, com prejuízo avaliado em R$ 130 mil. Está faltando óleo BPF (derivado de petróleo) no Norte do Paraná, fundamental para manutenção das caldeiras do abatedouro.
Em três dias de greve, a Sudcoop estima os prejuízos em R$ 1 milhão. A cooperativa está com 16 caminhões carregados com cargas perecíveis parados nas estradas que não conseguem chegar ao destino. Na linha de produção de carnes, a cooperativa deixou de abater 1.300 suínos desde terça-feira. Os 850 funcionários do abatedouro estão parados.
Os produtores também contabilizam os prejuízos. Adejair Mariano, 36 anos, produtor de Colombo, estava lamentando o prejuízo avaliado em R$ 3 mil. Ele estava com caminhão carregado de verduras na BR-116 e parou no bloqueio a 200 metros da entrada do portão da Ceasa-Curitiba. Estava há 20 horas parado na estrada e a carga foi perdida.Em Foz, atacadistas vão à Justiça. Abastecimento em Curitiba caiu 70%
Milton Dória e Paulo WolfgangBARREIRA E DESPERDÍCIOEm Londrina, motoristas de carros pequenos foram revistados por caminhoneiros, que tentaram impedir o transporte de cargas para outras cidades mesmo em pequenas quantidades. Na Ceasa, verduras e legumes estragam nas caixas





