Movimento negro e ongs vão à Justiça por cotas
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quarta-feira, 11 de agosto de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Representantes do movimento negro paranaense e de organizações não-governamentais (ongs) de defesa dos direitos humanos pretendem apelar à Justiça para garantir a manutenção do sistema de cotas para afrodescendentes e egressos das escolas públicas e a criação de vagas específicas para indígenas na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Uma reunião na noite de hoje na sede do Instituto de Pesquisa da Afrodescendência (Ipad) vai definir as estratégias de mobilização das ongs em resposta à ação proposta pelo procurador da República em Guarapuava, Pedro Paulo Reinaldin, que pede a impugnação do sistema de cotas.
A presidente do Ipad, Marcilene Garcia de Souza, afirmou que argumentação é de que o próprio Ministério Público (MP) federal prega em seu estatuto a promoção da igualdade. Hoje, os representantes do movimento negro se reúnem com procuradores do MP, em Curitiba. Segundo Marcilene, a intenção a manifestar a posição do movimento e saber qual é o entendimento do órgão em relação ao sistema de cotas. O argumento jurídico do procurador de Guarapuava é que a reserva de vagas fere o princípio da igualdade.
A procuradora-geral da UFPR, Dora Lúcia de Lima Bertulio, informou, ontem, que a instituição ainda não foi notificada da ação proposta em Guarapuava. Disse que só poderá se manifestar em relação ao entendimento do procurador depois de conhecer o teor da petição.
Ontem, cerca de 300 estudantes secundaristas e universitários reuniram-se na Boca Maldita, no centro de Curitiba, para uma manifestação contrária à ação de Reinaldin. O ato, segundo o vice-presidente, da União Nacional dos Estudantes (UNE), Edmir Maciel, voltou a enfatizar a reivindicação do passe livre.


