Caracas, 24 (AE-AP) - "Fracassamos, por enquanto!" A frase, dita em 4 de fevereiro de 1992, constituiu-se no primeiro discurso político do então tenente-coronel Hugo Chávez. Naquele momento, ele era levado para uma prisão, depois da derrota de uma revolta militar contra Carlos Andrés Pérez.
Surgia também o Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), formado por 200 oficiais militares da reserva e da ativa e inspirado nos ideais do herói Simón Bolívar, um venezuelano de Caracas que liderou as guerras de independência da Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia e Panamá.
O MBR-200 era uma espécie de associação secreta preparada pacientemente nos quartéis para chegar ao poder. Com o fracasso do golpe, a maior parte dos membros do MBR-200 foi perseguida pelo governo de Andrés Pérez.
Uma anistia concedida pelo sucessor de Andrés Pérez, Rafael Caldera, libertou, em 1994, os líderes do MBR-200 que permaneciam presos. Entre eles, Hugo Chávez.
Afastado do Exército, Chávez dedica-se a organizar o Movimento Bolivariano como agrupação política, buscando a adesão de setores da sociedade civil e popularidade nas classes média e baixa.
Uma lei que proíbe partidos políticos de usar o nome de Bolívar e símbolos nacionais obriga Chávez a mudar o nome da agremiação. Assim, em 1997, surge o Movimento 5ª República. Com o novo nome, Chávez inscreve o grupo no Conselho Eleitoral para participar das eleições de 1998. Oficialmente, a ideologia do partido é inspirada nos ideais de Bolívar, mas, até hoje, ela é pouco clara.
O movimento uniu-se a grupos políticos que vão da esquerda até a extrema direita numa coligação batizada de Pólo Patriótico. Seu discurso de tom notadamente populista mantém-se atraente, sobretudo para os setores que ainda acreditam nas virtudes de um passado caudilhesco. As referências a Bolívar - e aos seus ideais de integração latino-americana - estão presentes em quase todos os discursos de Chávez.

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