Movimento ecológico acusa irregularidades
O Movimento Ecológico Excursionista Capivari (Meeca), de Jaguariaíva (128 km ao norte de Ponta Grossa), faz um alerta sobre uma série de irregularidades ambientais que, segundo o presidente da entidade, Luiz Carlos Deable, estão ocorrendo no município. Uma delas é o lançamento do esgoto in natura em vários pontos do Rio Capivari, que abastece a cidade. Ele reconhece que a maior parte do esgoto é lançada depois do ponto principal de captação da água, mas ainda assim está preocupado.
Segundo Deable, são pelo menos quatro bairros da cidade que não têm rede de esgoto e que poluem o Capivari. Na Vila Pureza, os moradores reclamam do constante mau cheiro. Parte do esgoto está manilhado, porém, existe uma falha de cerca de 100 metros nas proximidades da Escola Municipal Dalva de Azevedo. No Jardim Aldo Sampaio Ribas também não existe coleta adequada, e os dejetos acabam sendo lançados em córregos que deságuam no Capivari.
A poluição atinge até mesmo o Parque Linear, construído há cerca de três anos com o propósito de ser o cartão-postal da cidade. O parque tem cerca de 40 mil metros quadrados, e toda a margem do Rio Capivari neste trecho foi revitalizada, recebendo também áreas de lazer. O parque abriga inclusive o Departamento Municipal do Meio Ambiente.
O diretor do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), Manoel Faria, diz que a rede de esgoto já atinge entre 38% e 40% da cidade, média acima da nacional. Nós levamos a rede até a frente das casas, mas muitas famílias se negam a fazer a ligação de dentro de suas casas até a rua, porque isso tem um custo, alega Faria.
Ele afirma ainda que o esgoto que já é coletado passa por tratamento em lagoa de estabilização, que devolvem 97% da pureza da água, tornando-a quase inofensiva ao meio-ambiente. Para o ambientalista, no entanto, essa lagoa não é suficiente para tratar o esgoto. É preciso concluir o tratamento antes de devolver a água ao ambiente, diz Deable.
O ambientalista também pede providências ao Ministério Público sobre um aterro que está sendo feito em uma área ao lado do Complexo Industrial Francisco Matarazzo. Segundo Deable, o córrego que existia no local está sendo sufocado.
Primeiro jogaram todo o tipo de lixo possível, desde galhos de árvore e entulhos de construção, até pneus que foram queimados numa área próxima dali, diz. Deable acredita que a estratégia da prefeitura é acabar definitivamente com o veio de água que ainda corre no local para poder lotear o terreno. Indignado, ele mostra uma trave de futebol que já existe numa área onde a água corria, que está totalmente assoreada. O promotor de Justiça Márcio Ferreira, que recebeu a denúncia, disse que deve instaurar um processo investigatório dentro dos próximos 15 dias.
O prefeito da cidade, Ademar Ferreira de Barros (PFL), diz que os planos da prefeitura para a região são outros. Quero fazer ali um parque ambiental, diz. Segundo ele, a água que foi sufocada nas palavras do ambientalista, na verdade foi manilhada porque se trata de água suja, que poderia facilitar o surgimento de doenças. O próximo passo, diz o prefeito, é levantar a área e fazer um lago artificial, cercado por ciclovias e áreas de lazer.
Outra reclamação do movimento é com relação ao aterro sanitário construído à margem da PR-151, no sentido Jaguariaíva/Sengés. Segundo Deable, o aterro foi feito ao lado de uma nascente, poucos metros adiante do rio Samambaia.
O chefe-regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Cyrus Daldin, disse que vai fazer uma vistoria no local para verificar a real situação. No entanto, adianta que o aterro foi liberado porque cumpriu todas as exigências ambientais. Ele acredita que a água que corre pelo local é córrego intermitente, ou seja, cuja água corre quando existe um acúmulo provocado pelas chuvas.





