Movimento é fraco no Dia D contra gripe
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sábado, 30 de abril de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
As secretarias municipais de Saúde de todo o País realizaram ontem o Dia D contra a gripe. No Paraná, todos os 399 municípios mantiveram pelo menos um posto de saúde aberto para vacinar a população dos grupos de risco determinados pela campanha. Em Londrina, todas as 54 unidades básicas de saúde (UBS), inclusive as rurais, permaneceram abertas até as 14 horas.
Como a campanha de vacinação foi antecipada nos Estados do Sul, com início na última segunda-feira, o movimento foi fraco nos postos de saúde. O secretário de Saúde de Londrina, Gilberto Martin, contou que só, na primeira semana de campanha, o município já havia vacinado 73 mil pessoas, ou 51% do público-alvo. "No ano passado, apenas 25% das pessoas em grupos de risco tinham recebido a vacina. Este ano a procura é bem maior", comparou.
Martin calcula que a meta obrigatória de 80% de cobertura, correspondente a 142 mil doses aplicadas, deverá ser alcançada já na próxima semana. A corrida pela vacina é explicada pelo surto ocorrido no País, que já levou oito pessoas à morte no Paraná 230 no Brasil todo.
"Este ano o vírus chegou mais cedo, principalmente em São Paulo. Quando há uma maior repercussão, há um aumento natural da procura, provocada pelo medo", comentou o secretário. Em Londrina, sete casos da doença foram confirmados neste ano.
Martin admite que a grande procura pode fazer as vacinas acabarem antes do prazo final da campanha, no dia 20 de maio. "A produção mundial da vacina não foi suficiente, consequentemente haverá dificuldades para atender a procura, que nos anos anteriores não foi tão grande." O secretário aponta esse fator como um dos motivos para encurtar o horário de atendimento aos sábados até as 14 horas. "Esta medida não vai comprometer a campanha, pois não tira a possibilidade das pessoas se vacinarem nos horários normais", justificou.
O aposentado José Marchiori Primo, de 75 anos, foi um dos primeiros a chegar na UBS do Jardim do Sol, na zona oeste, para receber a vacina. "Todo ano eu venho. Não dá pra arriscar, a doença é muito perigosa." Outro que acordou cedo para se imunizar foi o aposentado Jovem Mendes, de 71 anos. "Achei que ia ter mais gente, mas foi tranquilo. Cheguei e já fui atendido", disse.
José Cabral, de 71 anos, confessou que deixou de tomar a vacina nos dois últimos anos. "Quando a gente não ouve falar muito da doença, dá uma relaxada. Mas este ano a coisa está feia", avaliou. Ele foi orientado pela equipe do posto a não deixar de se imunizar. "A vacina tem uma validade de um ano, até porque a fórmula muda constantemente para se adaptar às adaptações do vírus", explicou Martin.
A comerciante Karina Lúcio Clementino, de 24 anos, aproveitou o dia de folga e levou a filha Eloá, de 9 meses, para se imunizar. "Eu tomei a vacina quando estava grávida dela, agora estou trazendo ela para tomar também", contou. Além da vacina contra a gripe, a garotinha também recebeu uma dose contra a febre amarela. "É uma oportunidade para deixar a carteirinha dela em dia", disse Karina.
Os grupos de risco abrangem idosos com mais de 60 anos, crianças de seis meses a 5 anos incompletos, gestantes, mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias e doentes crônicos, além de trabalhadores da área da saúde, população indígena e presos. Desde o início da campanha, o Paraná já aplicou 359 mil doses da vacina. A meta é vacinar mais de 80% da população de risco, que totaliza mais de 2 milhões de cidadãos no Estado até o fim da campanha, no dia 20 de maio.
Neste ano, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) registrou 131 casos de Influenza. Desses, 104 são de gripe H1N1. Os casos estão espalhados por 15 Regionais de Saúde. Oito pessoas morreram no Estado. As mortes foram registradas em Foz do Iguaçu (2), Marmeleiro, Cornélio Procópio, Maringá, Quitandinha, São José dos Pinhais e Umuarama.
CLÍNICAS
As pessoas que não se enquadram em nenhum grupo de risco da campanha nacional buscam as vacinas em clínicas particulares. Na manhã de ontem, grandes filas se formaram em frente de duas clínicas na Rua Senador Souza Naves, em Londrina. A consultora Andrea Vilela estava na fila havia mais de duas horas à espera pela vacina. "Eu tinha vindo no sábado passado, mas desisti porque tinha muita gente. Hoje vou esperar", contou.
A operadora de loja Fernanda Roberta Feliciano, de 35 anos, estava acompanhada do filho Miguel, de 6 anos, e da mãe, Evanete, de 62. "Minha mãe teve sorte, tomou a vacina sem filas no posto de saúde. Aqui está complicado." Até as 11h30, mais de 300 senhas já haviam sido distribuídas em uma das clínicas. Na rede particular de Londrina, o preço da dose varia entre R$ 90 e R$ 100.


