Movimento do comércio em setembro surpreende lojistas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de setembro de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 15 (AE) - Lojistas estão otimistas com os resultados de vendas da primeira quinzena de setembro, um mês tradicionalmente fraco para o comércio. Os negócios já começaram a deslanchar para as grandes empresas que saíram na frente, vendendo no crediário, sem entrada e com juros menores. Mas os números globais de vendas do comércio ainda não captaram essa reversão.
"Felizmente setembo está bem melhor", diz Natale Dalla Vecchia, diretor da Lojas Cem, especializada em móveis e eletroeletrônicos. Neste mês, até segunda-feira, a rede tinha faturado 18% mais que em igual período do ano passado e registrava um acréscimo de 6% na comparação com agosto. É a primeira vez em cinco anos que o faturamento da empresa em setembro supera o de agosto.
A previsão inicial, que era crescer 7% em setembro na comparação com o ano passado e repetir o resultado de agosto, já foi deixada de lado. A expectativa agora é encerrar o mês faturando R$ 40 milhões, uma receita entre 18% e 20% maior que no mesmo mês do ano passado. "Chegamos ao fundo do poço e agora a demanda reprimida começou a ser reativada", afirma Dalla Vecchia.
Parte do resultado, diz o diretor da Lojas Cem, decorre do fato de a empresa ter suprimido, desde julho, a entrada na venda a prazo. A perspectiva é que os negócios melhorem ainda mais com corte de até dois pontos porcentuais nos juros a partir de amanhã.
A Lojas Riachuelo, especializada em confeccções e artigos de vestuário, que há dois meses reduziu os juros do crediário, também vendeu na primeira quinzena deste mês um volume maior que as expectativas. "As vendas já deslancharam, estamos otimistas", afirma Flávio Rocha, vice-presidente do Grupo Guararapes, holding das Lojas Riachuelo.
Rocha atribui parte desse resultado ao corte nos juros. Ele pondera também que a empresa está conquistando fatias de mercado ocupadas por vendedores informais e pelas pequenas lojas que não resistiram às mudanças do câmbio em janeiro. O fato de a sua rede ter mudado os critérios de concessão de crédito para conquistar clientes potenciais que estão na economia informal e não têm como comprovar renda ajudou a melhorar o resultado, diz o empresário.
Apesar de as vendas das grandes lojas terem reagido, os números do comércio não confirmam essa mudança. Entre os dias 1º e 12 de setembro, a média diária de consultas para vendas a prazo do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) caiu 0,8% em relação ao mesmo período de 98 e ficou 5,2% abaixo da de agosto. Nos negócios à vista, medidos pela média diária de consultas ao Telecheque, o recuo foi de 11,9% em relação a setembro de 98 e de 0,2% na comparação com agosto.
Na avaliação do economista da ACSP, Emílio Alfieri, os resultados das vendas a prazo serão melhores no fechamento deste mês ou até o início de outubro. "Quem já cortou os juros está colhendo os resultados", diz ele, ponderando que os dados consolidados ainda não captaram essa tendência porque a maioria das lojas, de porte médio e pequeno, não alterou as condições do crediário.


