O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST/RS) entende que a criação de uma milícia municipal, em Santana do Livramento, no Sudoeste Gaúcho, apenas torna oficial o que já acontece na prática, de forma privada. ‘‘É só a legalização de uma violência já existente’’, opinou ontem uma das coordenadoras do movimento, Irma Ostroski. Ela afirmou que as milícias há muito estão organizadas no Rio Grande do Sul, agindo a mando dos fazendeiros. Na quarta-feira, a Câmara de Vereadores aprovou a implantação da Secretaria Extraordinária de Organização Fundiária, com poderes para formar uma milícia pública armada e combater invasões de terra. A idéia foi do prefeito Glênio Lemos (PT do B).
Depois de lembrar que nunca houve invasões em Santana do Livramento, Irma especulou que a inovação decidida pela Câmara teria como objetivo atemorizar populações pobres em uma região de grandes propriedades rurais. ‘‘Tem gente que pode se mirar no exemplo dos nossos 12 assentamentos, onde produzimos e vendemos milho, arroz, leite e carne, e resolver se organizar também’’, reparou. Sustentou que o MST não advoga a violência e sim quer apressar a reforma agrária através de ocupações.
O secretário José Eichemberg, de Justiça e Segurança/RS, também não gostou da novidade. ‘‘Não passa de uma tentativa oportunista de ganhar espaço na mídia’’, interpretou.

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