Ruas vazias, mal iluminadas, com toneladas de papel distribuídas em ‘‘montanhas’’ de lixo. As baixas vendas e a crise prolongada podem mudar a atual imagem noturna de Ciudad del Este.
Empresários, autoridades do departamento (equivalente a Estado) de Alto Paraná, do governo federal paraguaio e políticos da região de Foz do Iguaçu idealizaram um projeto para a volta do funcionamento noturno do centro comercial de Ciudad del Este - um dos maiores da América Latina.
A intenção é usar algumas avenidas centrais nos dois últimos meses de 1998 - considerado o período de melhores vendas na temporada - como experiência para uma decisão definitiva. ‘‘Para ter viabilidade econômica, teríamos que vender, pelo menos, 35% a mais’’, estimou um comerciante da cidade, que não quis se identificar.
Abrindo até as 22 horas (horário paraguaio, equivalente às 23 horas de Brasília), as lojas precisariam contratar mais empregados, além de ter de arcar com custos operacionais extras.
‘‘O período é propício porque, com o aumento do movimento no fim de ano, o comércio acaba tendo gastos extras de qualquer maneira’’, analisa Sharif Hammoud, presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap) e dono da Monalisa, a loja de departamento mais sofisticada do Paraguai, localizada em Ciudad del Este. O empresário estima que, de imediato, as vendas cresçam 20%.
O maior incentivador da experiência ainda em 1998 é o governador de Alto Paraná, departamento fronteiriço ao Brasil, Jotvino Urunaga (Partido Colorado). Para Urunaga, Ciudad del Este ganha, com o novo horário, novos consumidores, principalmente de cidades brasileiras mais distantes.
Além disso, os paraguaios poderiam ter, na indústria do lazer, uma nova fonte de renda. O governador espera mais investimentos em shows, casas noturnas e cassinos.
Os comerciantes lembram que a experiência noturna já foi bem sucedida nos anos 80, ancorada no prestígio dos cassinos da cidade. ‘‘A decadência que justificou o fechamento das lojas à noite ocorreu depois da inauguração do cassino na Argentina (Casino Iguazú, em Puerto Iguazú)’’, diz Hammoud. ‘‘Na época, os turistas preferiram a novidade do lado argentino e deixaram a noite de Ciudad del Este quase às moscas’’, lembra.
Hammoud espera que ocorram melhorias urgentes na iluminação e na limpeza públicas, e em locais para estacionamento. ‘‘Ou então fracassaremos’’, conclui. Outro empresário, que preferiu o anonimato, está mais cético. ‘‘Não se resgata a imagem de uma cidade de uma hora para outra. Os que reclamam que a cidade é insegura e desconfortável de dia, jamais virão para cá à noite, pelo menos a curto prazo’’, avalia.

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