Movimento cultural ocupa imóvel no centro
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segunda-feira, 27 de junho de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Integrantes de movimentos culturais de Londrina ocuparam ontem a antiga sede da União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (Ules). No início da tarde, aproximadamente 20 pessoas permaneciam no local para exigir que o espaço de propriedade do município seja cedido aos manifestantes. A intenção é oferecer atividades culturais à comunidade.
Um dos representantes do Movimento dos Artistas de Rua de Londrina (MARL), Danilo Lagoeiro, explicou que a ocupação foi feita de forma pacífica para que "espaços ociosos possam se tornar palco de manifestações artísticas". Segundo ele, o movimento solicitou em 2012 uma relação de imóveis públicos desocupados que poderiam ser cedidos. No entanto, após inúmeros pedidos, nenhuma lista foi apresentada pela prefeitura.
"O nosso objetivo é tornar esse espaço um centro cultural público com a linguagem da arte de rua ligando manifestações como teatro, circo, hip-hop, artesanato e skate, por exemplo. A gente pretende também lançar uma campanha de financiamento coletivo reformar o espaço", contou Lagoeiro. Os integrantes temem que, em razão da crise, o município decida pela venda de imóveis públicos desocupados. "Tem muito local que está se sucateando e aí vai chegar o momento que não vai ter nada que possa ser reaproveitado. Com esse clima de recessão e de crise, eles podem vender", completou outro representante do MARL, Rogério Francisco Costa.
Entre os grupos que apoiam a ocupação também estão participantes de movimentos sociais que pedem a permanência das famílias indígenas no Centro Cultural Kaingang, na Avenida Dez de Dezembro, e o resultado da investigação das 12 mortes ocorridas durante a chacina registrada no mês de janeiro em Londrina. Cinco policiais seguem presos por suspeita de envolvimento nos crimes. Os integrantes do movimento pretendem permanecer no local até que a prefeitura encontre outro espaço que possa ser ocupado pelo grupo e regulamentado pelo município.
O secretário municipal de Gestão Pública, Rogério Dias, informou que uma notificação extrajudicial será entregue ao movimento para que o imóvel seja desocupado em até cinco dias. O prazo começa a valer somente após a entrega da notificação. Conforme Dias, o imóvel foi avaliado por engenheiros da prefeitura em 2013 e foi constatado que não poderia ser utilizado. "O prédio está condenado. A Gestão Pública tinha a intenção de usar aquele espaço como um almoxarifado do município, mas descobriu que não tinha condições de uso. O correto é fazer a demolição", justificou. No ano seguinte, o local foi cedido à Secretaria Municipal de Defesa Social que buscava um novo espaço para abrigar a Central Integrada de Monitoramento da Guarda Municipal, com representantes das polícias Civil e Militar.
Dias alegou que o município não possui imóveis abandonados. "Todos os imóveis que temos hoje estão cedidos para associações de bairro e para as secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social", afirmou. No entanto, o secretário ressaltou que as instituições que solicitam imóveis ou terrenos precisam atender algumas normas, como ser de utilidade pública e estar juridicamente constituídas. "Os pedidos feitos nessas condições são analisados e áreas futuras desocupadas podem ser repassadas a outros grupos", completou.
O secretário municipal de Defesa Social, Rubens Guimarães, destacou que a pasta deve apresentar um projeto para apenas readequar o imóvel em vez de fazer a demolição. "Hoje ocupamos um espaço pequeno na Caapsml. Contamos com a ajuda externa para finalizar os projetos, por isso houve demora", explicou. O prefeito Alexandre Kireeff pretende conversar com o grupo nos próximos dias. "Não há nada que impeça o diálogo. Vamos encontrar um espaço adequado", garantiu.


