Para Cristina Simon, professora de Metodologia de Ensino em Língua Portuguesa da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a leitura instantânea proposta pela internet tem seus pontos positivos, além da praticidade. ''A velocidade da informação para os jovens é importantíssima, pois eles nasceram tendo a internet. O interessante é que ela (internet) abrange desde textos curtos aos mais longos, além de propor uma leitura diversificada, com variedade de linguagens, temáticas e extensões'', comenta.
Porém, há de considerar também alguns aspectos negativos. De acordo com a professora, a superficialidade pode ser apontada como um ponto negativo. Ela explica que os textos informativos (notícias) são um reflexo da rapidez, mas também um prejuízo pela fragmentação da informação, do texto.
''As leituras muito rápidas geralmente são muito fugazes. Daqui a pouco você se esquece do que você leu. Alguns leitores vão achar que sabem muito porque já estão informados sobre o que acabou de acontecer, mas de fato falta um aprofundamento, uma reflexão, um detalhamento. Cabe aos pais e à própria escola incentivar mais buscas, mesmo que seja nesse mesmo suporte de leitura, a internet'', diz.
Cristina defende a qualidade da leitura, seja por meio de um livro ou da internet. Porém, vale lembrar que uma boa leitura não está relacionada somente ao conteúdo, ''mas de quanto tempo você reservou para ler e se você está lendo atentamente. Acho que todos nós poderíamos ter uma leitura um pouco mais crítica'', ressalta ela, ao reforçar que ''a pessoa que lê diferentes textos com qualidade acaba tendo uma formação plural e um vocabulário diferente. Além disso, essa pessoa relativiza melhor os assuntos e tende a escrever melhor'', salienta.
Para a professora, a internet é inevitável principalmente entre o público jovem, mas observa que essa geração não deixou os livros de lado. ''Antes, nosso ritmo era outro e, portanto, estávamos acostumados a ler um romance cheio de descrições. Hoje não. Os títulos mais bem vendidos são aqueles com bastante ação. As pessoas querem as coisas mais velozes, sem perder tempo e isso também reflete nos textos literários'', diz.
Espaço
O londrinense professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Eduardo Diório Junior, formado em Letras pela UEL e mestre em Linguística, também concorda que a nova geração não está deixando os livros de lado. ''Muito pelo contrário. Basta observar o volume das histórias de ficção, como Harry Potter entre outros. São livros extensos, apreciados principalmente pelos adolescentes e jovens'', diz ele, que lançou em março deste ano o livro ''Mil Biografias para Twitter'', da Editora Matrix.
Em 173 páginas, o autor publicou mil biografias, cada uma com até 140 caracteres. A proposta é oferecer ao leitor uma leitura instantânea, engraçada e muito curiosa. ''Não acredito que para entrar algo novo o existente precisa acabar. Muitas histórias dos livros estão surgindo a partir de jogos de videogame ou da internet. É um caminho inverso, que me leva a acreditar que as pessoas não estão deixando de ler. Tudo tem seu espaço. É uma questão de visão'', afirma ele, ao defender que a internet não está substituindo os impressos.
Em sala de aula, Diório também utiliza várias ferramentas da internet. ''Não por ser mais atrativo, mas por ser algo que eles estão acostumados. É a realidade dos alunos.'' Entre os trabalhos com os alunos, Diório propôs que eles fizessem uma síntese de livros da literatura brasileira em 140 caracteres. A partir dessa ideia, o professor foi procurado pela editora e lançou o livro de biografias.

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