Movimento cobra punição de assassino
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terça-feira, 03 de agosto de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou ontem nota oficial cobrando punição imediata de todos os envolvidos na morte do trabalhador sem-terra Elias Gonçalves de Meura, 20 anos, que teria sido atingido com um tiro no pescoço durante a ocupação da Fazenda Santa Filomena. A propriedade fica na divisa entre os municípios de Planaltina do Paraná (57 km a oeste de Paranavaí) e Guairaçá (26 km a noroeste de Paranavaí), no último sábado pela manhã.
Os ocupantes, cerca de 400 famílias, estavam acampados há 18 meses na beira de estradas da região aguardando para serem assentados pelo Plano Nacional de Reforma Agrária do governo federal. ''Solicitamos que o governo do Estado nomeie um delegado especial para assegurar uma apuração independente do massacre de Santa Filomena'', diz a nota oficial. Até ontem, o governo do Estado não havia designado nenhum delegado especial para o caso. O presidente do inquérito que apura o assassinato do sem-terra é o delegado de Terra Rica (57 km a noroeste de Paranavaí), Alessandro Humberto Luz.
Roberto Baggio, um dos coordenadores estaduais do MST, não quis polemizar o assunto. Disse que o episódio apenas confirmava a tese de existência de milícias armadas no campo. ''O episódio só acabou confirmando aquilo que a gente já alertava: existe milícia armada no Noroeste do Paraná. Essa é uma prática constante entre os latifundiários. Entretanto foi uma triste surpresa para nós esse episódio. Não esperávamos tanta violência'', disse.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública informou ontem que não há motivo para designar um delegado especial para o caso. Segundo o secretário Luiz Fernando Delazari, o delegado de Terra Rica, que preside o inquérito ''é de confiança e competente''. A secretaria informou ainda que está se esforçando para acabar com o conflito no campo e todos os criminosos identificados, de acordo com a assessoria, são presos. Independente de ser fazendeiros ou militantes do MST.


