A continuidade da trégua no campo vai depender de uma reunião, na próxima quinta-feira, entre Instituto Nacional de Colonização Reforma Agrária (Incra), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Ouvidoria Agrária Nacional. No encontro, às 19 horas, os sem-terra deverão cobrar do Incra o cumprimento das metas acordadas em dezembro passado, quando o MST prometeu suspender as invasões para que o instituto fizesse seu trabalho. Sem-terra, que estão acampados em Curitiba para participar dos eventos programadas para hoje e amanhã, participam da reunião.
Para a liderança do MST, até o momento, os principais pontos do acordo não foram atendidos. ‘‘Das 650 famílias despejadas no ano passado, nenhuma foi assentada’’, disse um dos coordenadores regionais do MST, Roberto Baggio. Ele disse que até ontem o governo federal não havia apresentado as áreas para abrigar os assentamentos.
No entanto, o superintendente regional do Incra, José Carlos de Araújo Vieira, disse que a demora é porque o MST ainda não apresentou corretamente a lista das pessoas a serem assentadas. Apesar disso, ele argumentou que 120 processos já estão encaminhados.
Na avaliação de Vieira, que em torno de 200 pessoas indicadas pelo movimento não se encaixam no que determina as regras do Incra. Mas Roberto Baggio entende que o assentamento tem uma função social, ao agregar entre os assentados pessoas pobres. ‘‘Cumprimos o que tinhamos acordado, é preciso que o governo respeite o que foi assinado’’, afirmou. (I.R.)

mockup