Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A retirada dos sem-terra do Centro Cívico, em Curitiba, teve reflexo num impasse no Extremo-Oeste do Estado. Com a justificativa de que a ação da Polícia Militar foi violenta e desrespeitou os direitos humanos, lideranças do MST se recusaram a participar de uma reunião para buscar uma solução ao impasse criado entre ex-funcionários da Fazenda Mitacoré e sem-terra.
Há uma semana, um grupo de nove famílias de ex-empregados da Mitacoré está acampado na calçada em frente à Cúria Diocesana de Foz do Iguaçu – residência e local de trabalho do bispo de Foz do Iguaçu, dom Olívio Fazza. O grupo alega que foi expulso da propriedade, localizada no município de São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz) pelos sem-terra, que ocupam a área desde agosto de 97.
Os ex-funcionários acusam dom Olívio Fazza e a freira Zenaide Guarnieri, coordenadora da Pastoral do Migrante, de estimular os sem-terra a expulsá-los da fazenda. Dom Olívio nega a acusação contra a Igreja Católica. Mesmo assim, afastou a religiosa de suas funções na pastoral.
Na reunião, que deveria ocorrer anteontem à tarde, seria tentada uma solução para que os ex-funcionários voltassem à Mitacoré, abandonando o acampamento em Foz do Iguaçu. Participariam o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, José Carlos Vieira; o bispo e lideranças regionais do MST.
Por causa do despejo em Curitiba, o MST não enviou representante à reunião. O superintendende do Incra disse que a ausência do movimento era ‘‘plenamente justificável’’. O bispo não comentou a ausência de representantes dos sem-terra. O impasse e o acampamento em frente à Cúria continuam.
José carlos Vieira informou que a Fazenda Mitacoré, que tem 1.098 hectares, já foi repassada ao Incra para fins de reforma agrária. Propriedade do Grupo Bamerindus até março de 97, a área estava sob intervenção do Banco Central. Segundo o superintendente do Incra, a primeira exigência para que o processo de assentamento seja iniciado é que os ex-funcionários retornem às suas casas. O regulamento agrário estabelece que empregados de uma fazenda desapropriada têm prioridade no assentamento.

mockup