Movimentação assusta moradores
Nos discursos oficiais, é visível a preocupação das autoridades em destacar que o município de 11 mil habitantes ''só tem a ganhar'' com o que avaliam como benfeitoria à vida social e comercial da região. Nas palavras do governador Roberto Requião (PMDB), por exemplo: ''Catanduvas, são 250 agentes (penitenciários federais), ganhando em média R$ 4 mil mensais, que vão investir seu dinheiro aqui. A cidade vai receber um impulso razoável.''
A opinião do chefe do Executivo estadual repercute a de lideranças do Executivo e Legislativo municipais, além da do próprio ministro da Justiça. Márcio Thomaz Bastos assegura tratar-se de uma ''experiência que só traz vantagens; não há desvantagens''. Ele diantou que a cidade vai receber reforço da segurança, com a instalação de um posto da Polícia Rodoviária Federal na entrada, em sincronia com os arredores da penitenciária.
Catanduvas dispõe no quadro efetivo de quatro policiais civis - um escrivão e três carcereiros, o delegado é de Cascavel - a três policiais militares.
Para o desempregado Jamilson Alves, 26 anos, quase vizinho à Penitenciária, o empreendimento deve trazer mais segurança aos moradores. ''Como é grande e demanda muito policial, vai melhorar para nós, sim'', disse, admitindo, porém, que o local é pacato. ''O problema é o desemprego'', constatou.
Já o borracheiro Eliezer Diego de Paula, 15, vizinho de Alves, acredita no contrário: ''O pessoal aqui está bem dividido, pois esse monte de gente de fora que vai vir visitar os presos vai mudar o sossego'', opinou.
Dona de uma floricultora, Jussara Simonini Simmi, 33, é cautelosa: para o comércio, pode até ser uma mudança positiva. Para a família, ''só Deus sabe o futuro. Mas tem muita gente assustada com o movimento de gente estranha'', comentou.
O vendedor Aleandro Lagni, 20 anos, disse ter sentido já no dia do jogo Brasil x Japão, pela Copa do Mundo, a diferença de ter uma penitenciária federal em vias de inauguração na cidade onde nasceu e viveu. ''A gente tinha muito mais liberdade, agora é policial às vezes parando e fazendo revista... No dia do jogo (anteontem), por exemplo, algumas pessoas começaram uma carreata pela vitória da seleção, e eles (policiais) pediram para parar. Se eu saía na rua e reconhecia 10 pessoas, agora não sei quem é policial disfarçado, bandido ou visitante - isso gera uma apreensão enorme na gente'', comentou.
Para a aposentada Veneranda Del Ré, 68, não há mais o que reclamar. ''Não adianta mais. Não adiantou no começo, agora é esperar''.
A Penitenciária Federal foi designada para Catanduvas em 2003 após audiência pública, costuras de políticos da região e também depois de um plebiscito que recusou a ida do prédio à vizinha Cascavel - que ontem inaugurou a sede da Polícia Federal.(J.G.)





