Brasília, 21 (AE) - Quando tomar posse na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Carlos Velloso, deverá ocupar um gabinete com móveis novos adquiridos por meio de licitação aberta a poucos dias de sua posse, marcada para 27 de maio. O gabinete está instalado no último andar do anexo 2 do STF, que foi inaugurado em julho e cuja construção representou um gasto de R$ 48,9 milhões para o Supremo.
Divulgada na página do STF na Internet, a licitação engloba seis itens: mesas para presidente e secretário-geral da presidência, mesa auxiliar para telefone, mesas para reuniões, sofás e poltronas estofados, mesas de canto e de centro e cadeiras revestidas em couro preto. O STF informou não ter idéia de quanto a compra custará. A licitação foi pedida pelo gabinete de Velloso. O atual presidente do STF, ministro Celso de Mello, optou por não mobiliar o gabinete ocupado desde a inauguração do prédio alegando que, apesar de existirem recursos, o momento econômico vivido pelo País não justificava os gastos.
A decisão condenou Celso de Mello a despachar em uma mesa pequena, redonda e meio bamba, na qual trabalha desde que chegou ao STF, há nove anos. A sala onde ele deveria receber advogados e outros visitantes está sem uso por causa da falta de sofás, cadeiras e mesas. Os móveis usados atualmente pelo presidente do STF devem ser transportados para o gabinete de Celso de Mello quando ele deixar a presidência do Supremo.
Juízes - Carlos Velloso foi indicado para o STF pelo ex- presidente Fernando Collor de Mello. Velloso é atualmente a grande esperança dos juízes brasileiros. Por ser um juiz de carreira, líderes dos magistrados acreditam que Velloso saberá conduzir de forma satisfatória o processo para fixação do teto salarial do funcionalismo público. A reforma administrativa estabeleceu que nenhum servidor poderá ganhar mais do que os ministros do STF. Mas antes de esse princípio entrar em vigor será necessário que o Congresso Nacional aprove lei fixando o teto. A iniciativa do projeto de lei terá de partir obrigatoriamente dos presidentes dos três Poderes e da Câmara.
A performance do atual presidente do STF, Celso de Mello
na condução das negociações com os outros três chefes desagradou os juízes. Celso de Mello chegou a se mostrar favorável a um teto em R$ 10,8 mil, valor inferior ao recebido atualmente por três ministros do STF que acumulam funções no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As negociações foram interrompidas no final do ano passado devido à crise econômica vivida pelo País. Com a fixação do teto, grande parte dos juízes terá aumento de salário. CPI - Os debates sobre a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Judiciário também mostraram diferenças entre Velloso e Mello. O atual presidente do STF defendeu um controle externo efetivo dos juízes enquanto que Velloso criticou a CPI.

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