Com centenas de buzinas e um ''mar'' de coletes alaranjados, mototaxistas protestaram por mais de duas horas na tarde de ontem, pedindo justiça pelo latrocínio do colega Reinaldo dos Santos, 39, ocorrido no último sábado em Londrina.
O mototaxista e irmão da vítima João dos Reis, 42, estimou em mais de 500 o número de participantes, que incluiu trabalhadores de cidades vizinhas. Partindo do ponto onde Santos trabalhava, no Centro, a multidão seguiu em carreata até a 10 Subdivisão Policial (SDP) e fez sua primeira parada no Centro de Sócio Educação (Cense) 1, (Zona Leste).
''Vai morrer, vai morrer'', repetiu um côro enfurecido, dirigido ao adolescente de 14 anos acusado do crime e detido na unidade. Mais tarde, com a notícia de que o jovem teria sido transferido, os manifestantes foram até o Cense 2, na Zona Sul. ''Queria que ele tomasse consciência. Mas não sei o que passa pela cabeça de um menino desses'', disse a esposa da vítima, Alessandra Torchetti, 26.
Polêmicas como a redução da maioridade penal e até a pena de morte foram mencionadas. ''Até completar 18 anos ele vai continuar sendo detido e liberado, para matar outras pessoas'', criticou o mototaxista Maurício Aparecido Fábio, 38, do Centro. ''Matou tem que morrer. Por que só no Brasil não pode?'', questionou o colega Benhur Galdino de Assis, 40. ''Se esse garoto saísse agora, aqui fora, tenho certeza de que a justiça seria feita'', sentenciou a viúva.
No Fórum Estadual, os manifestantes continuaram produzindo estardalhaço e pediram a presença da promotora da Vara de Infância e Juventude, Édina de Paula, sem sucesso. ''Sabemos que a lei é branda, mas queremos ao menos que o assassino seja condenado'', apelou Reis. A carreata passou ainda pelo 5º Batalhão de Polícia Militar (PM), em ''agradecimento'' pela rápida apreensão do criminoso, segundo os líderes do ato.
Édina de Paula disse à reportagem que está ''fazendo o que tem de fazer enquanto promotora'' e que ''se redução da maioridade penal resolvesse, seria a primeira a defendê-la''. Segundo ela, o adolescente está sendo ameaçado por outros internos que têm parentesco com mototaxistas e por isso ''pode ter sido transferido''.

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