Mototáxis voltam a circular e criam polêmica em Sarandi
Marcos Zanatta
De Maringá
A volta do funcionamento dos mototáxis em Sarandi (7 km a leste de Maringá) pode gerar uma guerra entre os mototaxistas e a prefeitura. No início do mês, as empresas conseguiram uma liminar da Justiça, que ordenava a liberação dos alvarás para o funcionamento do transporte de passageiros com motocicletas. Os mototaxistas conseguiram ainda o apoio de parte dos vereadores para um novo projeto de lei, que pretende regulamentar a atividade. A prefeitura, que se nega a fornecer os alvarás, está tentando cassar a liminar e garante que a lei, se aprovada, será considerada ilegal.
O problema com os mototáxis de Sarandi começou no final de 98, quando a prefeitura revogou uma lei que permitia a atividade no município. Com os alvarás cassados, as empresas trabalharam de forma clandestina durante três meses. Até que a polícia veio aqui e obrigou a gente a fechar as portas, lembra Juvenal de Souza, que trabalha com 22 motoqueiros. Quando foi obrigado a fechar eram 35 motos. As três empresas da cidade trabalhavam com mais de 80 motos. Hoje são cerca de 40.
Souza revela que todos os dias aparecem pelo menos cinco motoqueiros querendo trabalhar. Em média, um mototaxista consegue ganhar entre R$ 400,00 a R$ 500,00 por mês. Os que se esforçam chegam a faturar R$ 1 mil. Além do início da manhã e final de tarde, os horários bons de clientes, segundo ele, são as madrugadas dos finais de semana. Muitos garçons, festeiros e até mulheres de programa, que não têm outra alternativa, apela para a matotáxi, revela.
A corrida, dentro da cidade, custa R$ 1,50. De Sarandi para o centro de Maringá o preço é de R$ 2,50 e para a periferia R$ 3,00. Um táxi cobra pelo menos R$ 15,00 para fazer o trajeto de Sarandi a Maringá, compara. Para Souza, mototáxi é um serviço social, que atende trabalhadores e não poderia ser extinto. Ele critica também os políticos de Maringá, que vetaram uma lei criando mototáxi na cidade, que impede até mesmo os motoqueiros de Sarandi atuarem no município.
Os mototaxistas continuam circulando em Maringá, destino da maior parte dos passageiros. Em média, apenas a empresa de Souza recebe 180 chamadas por dia.
Segurança O chefe de gabinete da Prefeitura de Sarandi, Alcides Ferreira, explica que, apesar da liminar pedir a emissão de alvará para as empresas de mototáxi, a administração não vai liberar o documento. Estamos apelando ao Tribunal de Justiça para derrubar a liminar, avisa. Ele diz que o município não tem o poder de gerir sobre o trânsito. Podemos apenas disciplinar, esclarece.
Para legalizar a atividade, segundo Ferreira, o Detran precisaria liberar o emplacamento das motos como veículos de transporte de passageiros e as companhias aceitarem seguro para passageiros. Como nenhuma das duas condições é aceita, não podemos liberar o serviço, garante.
A principal preocupação da administração, diz Ferreira, é com a segurança da população. Não estamos tomando posição sobre a atividade de mototáxi, apenas respeitando a legislação, adverte. Ele diz, porém, que se a Câmara aprovar o novo projeto de lei, que quer regulamentar o serviço, o Executivo tem o dever de vetar. A saída, continua, seria a União aprovar a atividade para os municípios estudarem as condições e legalizar ou não as empresas e o serviço.
Pressões Para Juvenal de Oliveira, o Detran nunca vai autorizar o emplacamento se não houver lei municipal que libere a atividade. Ele reclama ainda que os usuários, principais interessados no transporte alternativo, aprovaram o mototáxi. Não dá para aceitar a proibição do serviço, que não apresenta problemas, garante.
Outro dono de empresa de mototáxi, Paulo Machado, que trabalha com apenas duas motos, acusa as empresas de transporte coletivo de pressionar a prefeitura para impedir o serviço. Não conseguimos fazer seguro para os passageiros, mas as empresas de ônibus têm seguro, argumenta.
Vítima A maior vítima do serviço de mototáxi em Sarandi, José Veríssimo, não quer falar muito sobre o assunto. Ele sofreu um acidente há um ano e sete meses, quando transportava uma passageira, e ficou paraplégico. Na semana passada, a Folha conseguiu localizá-lo no Conjunto Mutirão, onde está construindo um bar para sobreviver. Não quero falar nada porque estou tentando negociar um triciclo para mim com meu ex-patrão, disse. O ex-patrão dele é Juvenal de Souza, que garantiu que está providenciando o triciclo.
Mesmo falando pouco, Veríssimo disse que não é contra o serviço de mototáxi. Eu vivi um ano e quatro meses da atividade e não vou falar que sou contra só porque sofri um acidente. Ele afirma que pagou todo tratamento da passageira, cerca de R$ 30 mil, com o dinheiro do seguro.





