Os usuários de motocicletas de Londrina são as principais vítimas fatais por acidentes de trânsito. A conclusão foi obtida pela enfermeira Christiane Liberatti, em trabalho de mestrado em saúde coletiva apresentado recentemente na Universidade Estadual de Londrina (UEL). A pesquisa, feita ao longo do ano de 1998, mostra que o fato dá a Londrina uma característica que a diferencia da maioria das outras cidades, onde os pedestres são os que mais morrem vítimas de acidente.
Um dos dados citados na tese confirma a insegurança oferecida pelas motocicletas: a probabilidade de um acidente de moto gerar vítima é sete vezes maior que num acidente com automóvel. ‘‘Nós constatamos isto diariamente, no dia-a-dia do nosso trabalho’’, diz Christiane, que é enfermeira do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência (Siate).
Ela lembra que a realidade local mudou a partir de 96 e uma das principais causas foi o uso intensivo deste tipo de transporte no comércio, com os chamados motoboys, e pela população em geral, que rendeu-se ao baixo custo e à rapidez de deslocamento proporcionada pela motocicleta. ‘‘Nos anos 50 e 60, a moto era usada como símbolo de liberdade e rebeldia. Era sinônimo de status. Com o tempo, porém, surgiu um padrão diferenciado de uso para o veículo, que tornou-se a opção mais barata de locomoção’’, diz a enfermeira.
De acordo com levantamento feito junto à Companhia de Trânsito, o número de motos em Londrina cresceu mais que o número de automóveis nos últimos 10 anos. Uma parcela considerável destes motoqueiros é menor de idade. ‘‘Onze por cento das 1.576 vítimas estudadas eram menores de 18 anos’’, informa Christiane. Ela lembra que o trabalho também concluiu que neste tipo de usuário – assim como entre os que ingerem bebida alcoólica, saem de moto no período noturno, nos finais de semana e na periferia –, o uso de capacete é menor.
Os dados são preocupantes, reforça a enfermeira, se levado em conta que a probabilidade da vítima morrer ou ter uma lesão na cabeça durante o acidente é três vezes maior no caso dos que não usam o equipamento de proteção. ‘‘Por isso fizemos algumas sugestões ao final do trabalho, como aumento da fiscalização à noite e fora da região central, realização de testes respiratórios para detectar vestígios de bebida alcoólica entre os condutores e intensificação de trabalhos de conscientização entre os menores de idade e entre as famílias sobre a importância do uso do capacete.’’
Christiane observa também que além da motocicleta por si só apresentar menos segurança que um automóvel – este tem a estrutura da lataria como barreira de proteção –, a maioria dos motoqueiros é formada por jovens, que estão mais predispostos à velocidade e à exposição ao perigo. De todas as vítimas atendidas pelo Siate no ano de 98, 61% eram de acidentes de trânsito e em torno de 45% vítimas de acidentes com motocicleta. Destas últimas, 45 morreram.
Nos últimos quatro anos, os usuários de motocicletas de Londrina tornaram-se as principais vítimas fatais por acidente de trânsito, dando ao município uma característica que o diferencia da grande maioria, Esta foi uma das conclusões obtidas .

mockup