Motos fazem mais vítimas em Londrina
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de maio de 2000
Silvana Leão De Londrina 
Os usuários de motocicletas de Londrina são as principais vítimas fatais por acidentes de trânsito. A conclusão foi obtida pela enfermeira Christiane Liberatti, em trabalho de mestrado em saúde coletiva apresentado recentemente na Universidade Estadual de Londrina (UEL). A pesquisa, feita ao longo do ano de 1998, mostra que o fato dá a Londrina uma característica que a diferencia da maioria das outras cidades, onde os pedestres são os que mais morrem vítimas de acidente.
Um dos dados citados na tese confirma a insegurança oferecida pelas motocicletas: a probabilidade de um acidente de moto gerar vítima é sete vezes maior que num acidente com automóvel. Nós constatamos isto diariamente, no dia-a-dia do nosso trabalho, diz Christiane, que é enfermeira do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência (Siate).
Ela lembra que a realidade local mudou a partir de 96 e uma das principais causas foi o uso intensivo deste tipo de transporte no comércio, com os chamados motoboys, e pela população em geral, que rendeu-se ao baixo custo e à rapidez de deslocamento proporcionada pela motocicleta. Nos anos 50 e 60, a moto era usada como símbolo de liberdade e rebeldia. Era sinônimo de status. Com o tempo, porém, surgiu um padrão diferenciado de uso para o veículo, que tornou-se a opção mais barata de locomoção, diz a enfermeira.
De acordo com levantamento feito junto à Companhia de Trânsito, o número de motos em Londrina cresceu mais que o número de automóveis nos últimos 10 anos. Uma parcela considerável destes motoqueiros é menor de idade. Onze por cento das 1.576 vítimas estudadas eram menores de 18 anos, informa Christiane. Ela lembra que o trabalho também concluiu que neste tipo de usuário assim como entre os que ingerem bebida alcoólica, saem de moto no período noturno, nos finais de semana e na periferia , o uso de capacete é menor.
Os dados são preocupantes, reforça a enfermeira, se levado em conta que a probabilidade da vítima morrer ou ter uma lesão na cabeça durante o acidente é três vezes maior no caso dos que não usam o equipamento de proteção. Por isso fizemos algumas sugestões ao final do trabalho, como aumento da fiscalização à noite e fora da região central, realização de testes respiratórios para detectar vestígios de bebida alcoólica entre os condutores e intensificação de trabalhos de conscientização entre os menores de idade e entre as famílias sobre a importância do uso do capacete.
Christiane observa também que além da motocicleta por si só apresentar menos segurança que um automóvel este tem a estrutura da lataria como barreira de proteção , a maioria dos motoqueiros é formada por jovens, que estão mais predispostos à velocidade e à exposição ao perigo. De todas as vítimas atendidas pelo Siate no ano de 98, 61% eram de acidentes de trânsito e em torno de 45% vítimas de acidentes com motocicleta. Destas últimas, 45 morreram.
Nos últimos quatro anos, os usuários de motocicletas de Londrina tornaram-se as principais vítimas fatais por acidente de trânsito, dando ao município uma característica que o diferencia da grande maioria, Esta foi uma das conclusões obtidas .


