São Paulo, 16 (AE) - Cerca de 70 mil motociclistas cumpriram hoje mais uma vez o trajeto entre São Paulo e Aparecida, na tradicional Motorromaria em homenagem a sua padroeira, Nossa Senhora Aparecida. O evento, que está em sua 17ª edição, é promovido pelo Sindicato dos Motociclistas do Estado de São Paulo.
A partir das 6 horas, milhares de motos começaram a ser agrupadas na Marginal do Tietê, nas proximidades da Ponte Aricanduva. A chegada a Aparecida ocorreu ao meio-dia, onde houve missa campal, com a tradicional bênção dos capacetes e motos.
A grande maioria dos participantes da romaria era formada por motoboys - muitos levando na garupa os recipientes que no dia-a-dia acondicionam de pizzas a documentos. Para os motoboys, além da manifestação de fé, a romaria é uma oportunidade de pedir proteção ao trabalho e de exorcizar a má imagem.
"O motoboy em São Paulo é tratado como lixo", resumia Josuel Marques, de 28 anos, que há sete participa da romaria. A decoração de sua moto 125 cilindradas procurava chamar atenção para outros "lixos" do cotidiano. Assim, ostentava ossos, bonecas desdentadas, restos de embalagens e os dizeres "CPI" e "táxi". Mas por que táxi? "É porque eles não gostam de motoboy", justificou.
Entre os participantes, direitos plenamente iguais: havia vespas, motos literalmente caindo aos pedaços e possantes Harley Davidson. Muitos motoqueiros levavam de carona a namorada ou o filho mais novo.
A exemplo dos últimos três anos, José Rodolfo Neto, de 34 anos, resolveu levar na garupa uma réplica do boneco Chucky, ídolo da série de filmes de terror O Brinquedo Assassino. "É porque o azar é a minha sorte", tentava explicar. Ele dirigiu-se a Aparecida para pagar uma promessa feita a Nossa Senhora Aparecida. Em troca, cortou o rabo-de-cavalo que ostentava no cabelo e pretendia deixá-lo no altar da santa, a quem confessou chamar de "minha pretinha".
Fernando Manzoni, de 43 anos, pretendia neste ano chegar a Aparecida, coisa que não conseguiu no ano passado. "A moto quebrou", lembra. Ele estava acompanhado da sobrinha Renata, de 17 anos. "Assisti às imagens da romaria pelo vídeo e não sosseguei enquanto não vim para cá", contou ela.
A imagem dos motociclistas cruzando a Via Dutra é mesmo impressionante. Somente para vigiá-los, a Polícia Rodoviária Federal utilizou 100 policiais, 50 veículos (carros e motos) e dois helicópteros.

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