Heitor Hui/Agência EstadoFé e protestoMotoqueiros seguem pela Via Dutra, em trajeto de seis horas rumo à cidade de AparecidaCerca de 70 mil motociclistas cumpriram ontem mais uma vez o trajeto entre São Paulo e Aparecida, na tradicional Motorromaria em homenagem a sua padroeira, Nossa Senhora Aparecida. O evento, que está em sua 17ª edição, é promovido pelo Sindicato dos Motociclistas do Estado de São Paulo.
A partir das 6 horas, milhares de motos começaram a ser agrupadas na Marginal do Tietê, nas proximidades da Ponte Aricanduva. A chegada a Aparecida ocorreu ao meio-dia, onde houve missa campal, com a tradicional bênção dos capacetes e motos.
A grande maioria dos participantes da romaria era formada por motoboys - muitos levando na garupa os recipientes que no dia-a-dia acondicionam: de pizzas a documentos. Para os motoboys, além da manifestação de fé, a romaria é uma oportunidade de pedir proteção ao trabalho e de exorcizar a má imagem.
‘‘O motoboy em São Paulo é tratado como lixo’’, resumia Josuel Marques, de 28 anos, que há sete participa da romaria. A decoração de sua moto 125 cilindradas procurava chamar atenção para outros ‘‘lixos’’ do cotidiano. Assim, ostentava ossos, bonecas desdentadas, restos de embalagens e os dizeres ‘‘CPI’’ e ‘‘táxi’’. Mas por que táxi? ‘‘É porque eles não gostam de motoboy’’, justificou.
A imagem dos motociclistas cruzando a Via Dutra é mesmo impressionante. Somente para vigiá-los, a Polícia Rodoviária Federal utilizou cem policiais, 50 veículos (carros e motos) e dois helicópteros.

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