Pela terceira noite seguida, Londrina foi assombrada por ataques incendiários contra ônibus do sistema de transporte urbano. Poucas horas após as polícias Civil e Militar literalmente fecharem o Jardim União da Vitória para capturar os suspeitos dos dois primeiros ataques registrados entre a noite de quarta e de quinta-feira, uma nova ação criminosa foi registrada em um ponto de uma via marginal da Avenida Brasília (sentido bairro-Centro), no Jardim Paulista.
O relógio marcava por volta de 20h30 quando o motorista da linha 408, prestes a completar sua segunda volta da noite, parou em atenção ao sinal de um jovem que aguardava no ponto e para dar carona a um colega de trabalho. Dentro do ônibus estava apenas um casal.
''No que abri a porta, o rapaz enfiou a mão por baixo da blusa, tirou uma arma e gritou para que tudo mundo descesse porque iriam tocar fogo no carro'', contou o motorista, ainda muito assustado. Antes, ele foi obrigado a entregar cerca de R$ 20.
Logo em seguida, outros três rapazes se aproximaram - um deles armado - e começaram a espalhar pelos bancos, painel e corredor a gasolina que levavam em três garrafas plásticas. Rapidamente, atearam fogo e fugiram. ''Quando vi que eles correram, voltei para evitar que o carro fosse destruído'', relatou o motorista, que usou um extintor e impediu que as chamas se alastrassem.
''Nunca imaginei que isso pudesse acontecer comigo. Conheço quase todos os passageiros... Foi um susto muito grande'', admitiu. Companheiros de profissão que estiveram no local confessaram que desde a última quarta-feira o clima geral é de muita apreensão. Garantiram, porém, que não vão deixar de trabalhar.
Imediatamente ao serem comunicadas, as polícias Civil e Militar e mais duas equipes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), de Curitiba, fizeram um pente-fino na região e apreenderam um galão com resto de gasolina na casa de um adolescente de 17 anos que fica na mesma região do ataque. Câmeras de segurança de um posto de gasolina da região filmaram o adolescente comprando o combustível.
O relações-públicas da Polícia Militar, tenente Ricardo Eguedis, informou que o adolescente estaria cumprindo medida socioeducativa de semi-liberdade no Centro de Socioeducação I. Ele também é suspeito de ter cometido um roubo seguido de morte (latrocínio) em 17 de março, que vitimou um rapaz de 18 anos. Durante toda a noite de sexta-feira e madrugada de ontem, diversas equipes de policiais permaneceram na captura do adolescente e em alerta para tentar evitar novos atentados. (L.A.)

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