Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Mais de 50 donos de caminhões passaram o dia de ontem tentando entrar no galpão no Jardim Ipê, em São José dos Pinhais – Região Metropolitana de Curitiba – interditado no sábado pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC). No local estão depositados 65 veículos (63 caminhões de diversas marcas, modelos e anos de fabricação e dois ônibus urbanos) que seriam do empresário Paulo Gilberto Pacheco Mandelli, que está foragido da polícia desde a quarta-feira da semana passada.
Mandelli é acusado, junto com Joarez Costa França (o ‘‘Caboclinho, que está preso), de comandar o roubo e o desmanche de carros e caminhões no Paraná, com a conivência e participação de delegados e investigadores da Polícia Civil. Todos os caminhoneiros estiveram no galpão para tentar rever seus veículos roubados, mas os promotores da PIC não permitiram a entrada deles, alegando que poderiam atrapalhar o trabalho dos peritos do Instituto de Criminalística.
O motorista Venâncio de Aquino veio de Balneário Camboriú (SC) tentar recuperar o Mercedes-Benz que foi roubado dele em novembro de 1998 e outro caminhão de um amigo. Mas foi obrigado a ir embora no fim da tarde porque não conseguiu entrar no galpão. A mesma situação foi enfrentada por Genésio Petrucheski, que viajou de São Bento do Sul (SC), a 80 quilômetros de Curitiba, na esperança de encontrar seu caminhão. Ele foi roubado no ano passado e tinha esperança de recuperá-lo.
O diretor do Instituto de Criminalística, José Lourenço Bueno, afirmou ontem que a perícia nos milhares de peças encontrados nos sete barracões interditados pela PIC deve continuar até o final deste mês.
Hoje Bueno vai se reunir com o secretário de Segurança Pública, José Tavares, para definir a vinda de mais cinco peritos especialistas em identificação de chassis. Eles viriam do interior do Estado, segundo informou ontem o diretor do Instituto de Criminalística. Até ontem, somente oito especialistas estavam trabalhando na perícia nos desmanches interditados.

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