Motoristas param em balança
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Caminhoneiros em trânsito pela PR-182, de ligação entre o Oeste e o Sudoeste do Paraná, realizaram protesto na manhã de ontem na balança instalada nas proximidades de Lindoeste (50 quilômetros ao sul de Cascavel). O protesto ocorreu pelo não-cumprimento do acordo que pôs fim ao movimento deflagrado em julho.
Os motoristas não aceitam a pesagem em cada eixo dos caminhões porque cargas em granel que transportam se movimentam na carroceria. Isto automaticamente é registrado pelas balanças como excesso sobre o eixo, ocorrendo multas.
Policiais militares rodoviários conseguiram convencer os caminhoneiros a liberar a passagem. Mas eles ameaçam realizar novos protestos. O presidente da Associação dos Caminhoneiros de Cascavel e Região (Associavel), Jeová Pereira, lembrou que o governo havia garantido que não seria feita a pesagem de cargas sobre eixos por 60 dias.
ReuniãoO presidente do Sindicato da União Brasileira dos Caminhoneiros, José Natan Emídio Neto, que está tentando mobilizar a categoria para uma greve geral, a partir de 1º de setembro, foi convidado ontem para uma audiência particular com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha na segunda-feira. Segundo Natan, que não reconhece a legitimidade do presidente da União Brasil Caminhoneiro, Nelson Botelho, só há uma possibilidade de a greve ser suspensa. Se o governo federal nos der respaldo na nossa luta para melhorar a tabela de frete, acredito que os companheiros espalhados pelo Brasil desistam da idéia de uma nova paralisação.
A decisão de Padilha Nélio Botelho. Segundo ele, o governo não deveria dar atenção a alas tão radicais como o Sindicato da União Brasileira dos Caminhoneiros de Belo Horizonte. Acho isso confuso, disse. Não fui informado de nada pelo ministério. Entretanto, Botelho afirmou que a reunião não irá atrapalhar as negociações do governo com o movimento.
MaringáO presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar), Walmor Weis, disse ontem em Maringá que uma paralisação dos caminhoneiros agora seria um risco para as negociações com o governo. Ele esteve na cidade para uma reunião com empresários do setor, que tratou também dos valores dos pedágios e da segurança nas estradas.
Ele alertou que qualquer tentativa de paralisação das rodovias será reprimida com força pelo poder público. Segundo ele, o principal problema dos caminhoneiros, o valor baixo dos fretes, deve ser revisto. (Com Marcos Zanatta, de Maringá, e Agência Estado)





