São Paulo, 10 (AE) - Motoristas e cobradores de ônibus voltaram a paralisar suas atividades hoje em São Paulo. Dessa vez, realizaram manifestações das 9 horas ao meio-dia, nas zonas norte, oeste e parte da sul. Cerca de 2 mil ônibus pararam, causando transtornos a 270 mil passageiros.
Para amanhã (11), a categoria promete aplicar a "operação catraca livre", entre 16 e 18 horas, em dois terminais de ônibus da região central da cidade. "Preferimos não divulgar com antecedência os locais desse protesto para evitar problemas", disse o secretário-geral do sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo, Alcides Araújo dos Santos.
A manifestação foi motivada pela decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, de suspender os 3,88% de reajuste salarial concedido à categoria, dia 24, pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou também a manutenção dos benefícios, como vale-refeição e seguro de vida. O sindicato das empresas de ônibus (Transurb) recorreu da decisão e venceu.
De acordo com a São Paulo Transportes (SPTrans), os terminais de ônibus cujas linhas foram totalmente paralisadas foram os de Santana, Vila Nova Cachoerinha e Jabaquara. Vários ônibus ficaram parados no cruzamento das Avenidas Francisco Matarazzo com a Pompéia, na zona oeste, e na altura do número 2.000 da Avenida do Cursino, na zona sul. Os ônibus que saem das estações Conceição e São Judas do Metrô também não circularam.
Na zona leste, apenas os funcionários da Viação Iguatemi
que transporta diariamente 18,5 mil passageiros, davam continuidade à paralisação iniciada na manhã de ontem (9).
Sem solução - A reunião entre representantes dos motoristas e cobradores com a direção do Transurb e a SPTrans, que ocorreu na tarde de hoje, só serviu para agendar novo encontro, às 14 horas de segunda-feira.
No mesmo dia, às 16 horas, haverá assembléia no sindicato dos motoristas e cobradores, para decidir o rumo da categoria. "Mais uma vez, saímos frustrados de uma reunião", disse o diretor do sindicato, Severino Francisco de Oliveira. "Por isso, vamos dar continuidade à manifestação, dessa vez liberando a catraca de apenas um terminal de ônibus."
"Agora, se não conseguirmos acordo nenhum, a intenção é trabalhar com as catracas livres na próxima semana", completou Oliveira.
Segundo a SPTrans, o Transurb propôs aos motoristas e cobradores vincular o valor do tíquete-refeição, atualmente de R$ 6,50, ao índice de produtividade. Mas o sindicato da categoria não aceitou a proposta.
Sufoco - A dona de casa Elisângela Araújo Trindade, de 26 anos, grávida de oito meses, levou um susto na manhã de hoje, quando o motorista que dirigia o ônibus que a levaria para o centro informou que iria parar no meio do caminho para participar de um protesto.
"Tinha acabado de passar pela catraca e ninguém me avisou que teria greve", contou. "Se soubesse, nem teria pegado o ônibus, pois, agora, não dá para voltar e ninguém me devolve o passe."
Elisângela esperou três horas, de pé, no Terminal Vila Nova Cachoerinha, na zona norte, até conseguir pegar novamente um ônibus.

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