São Paulo, 14 (AE) - Motoristas e cobradores pararam quatro terminais de ônibus de São Paulo e alguns corredores da cidade, provocando congestionamentos e confusão hoje, entre 10 horas e meio-dia. As manifestações, de acordo com levantamento da São Paulo Transporte (SPTrans), deixaram parados 753 ônibus, de 33 empresas e 300 linhas da cidade. A empresa não divulgou o número de passageiros afetado. A categoria fez os protestos pelo não-pagamento dos vales-refeição que deveriam ter sido entregues no dia 30.
Levantamento do sindicato dos motoristas e cobradores apresenta números diferentes sobre a manifestação: 1.250 ônibus de 300 linhas parados e 58 mil passageiros prejudicados. As estimativas da entidade mostram que 2,5 mil funcionários das empresas de ônibus aderiram à paralisação.
Os protestos atingiram os terminais Cachoeirinha e Santana, na zona norte; Itaquera, na zona leste; e Jabaquara, na zona sul. Cerca de cem ônibus foram estacionados nas Avenidas Adolfo Pinheiro e Santo Amaro, ambas na zona sul. Como os ônibus não conseguiam chegar aos terminais João Dias e Santo Amaro, ambos tiveram operação parcial. Aproximadamente cem ônibus também foram estacionados na Avenida Eusébio Matoso e na Rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, na zona oeste. Alguns dos carros que ficaram pelas ruas tiveram os pneus esvaziados e foram guinchados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
O protesto prejudicou o trânsito, principalmente nas ruas mais próximas dos pontos de manifestação. Houve congestionamentos nos corredores bloqueados e também nas Avenidas Cruzeiro do Sul, Voluntários da Pátria, Santos Dumont, Tiradentes, Prestes Maia, 23 de Maio e Rebouças, Rua da Consolação, entre outras. A CET registrou 68 quilômetros de lentidão às 10h30.
O secretário-geral do sindicato, Alcides Araújo dos Santos, fez uma avaliação positiva das manifestações. "Nunca havíamos conseguido fazer protestos em todas as regiões, como ocorreu hoje ." Apesar disso, nenhuma reunião com os empresários ou com a Secretaria Municipal dos Transportes foi marcada. Na sexta-feira a categoria realiza nova assembléia.
Das 54 empresas do sistema, apenas 5 pagaram os 27 tíquetes. Os empresários propuseram o pagamento dos vales em cinco vezes, mas a categoria não aceitou.A SPTrans informou hoje que vai acionar o sindicato na Justiça, pelas perdas provocadas pela paralisação. Os números oficiais devem ser divulgados nesta quinta-feira.
Prefeitura - A Prefeitura tem uma dívida de R$ 130 milhões com as empresas - R$ 148 milhões, de acordo com o sindicato dos empresários. O próprio secretário dos Transportes, Getúlio Hanashiro, admite que não está em dia com os pagamentos.

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