Foz do Iguaçu – Pelo menos duas mulheres islâmicas fizeram ontem fotos para a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) usando véu em Foz do Iguaçu (Oeste). A prática é permitida desde ontem pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), mas a a peça não pode cobrir o rosto da candidata ou condutora. A cidade da fronteira abriga a segunda maior colônia islâmica do País, com mais de 20 mil muçulmanos. A primeira é São Paulo.
Uma delas foi a gerente financeira Iman Faozi Haoui, de 46 anos, integrante da Associação Senhora Fátima da Sociedade Islâmica de Foz do Iguaçu. "Assim que tirei a foto fiquei emocionada. Parece que o meu mundo voltou para mim", declarou.
Iman conta que enquanto estava na Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) enviou mensagens para as amigas relatando sobre a mudança. "Tinha visto a notícia no dia anterior. Foi no primeiro dia depois do jejum que praticamos. Estamos lutando por isso desde 2010, tentando explicar que o véu é uma prática religiosa e não um adereço."
De acordo com a chefe da Ciretran de Foz do Iguaçu, Marta Matkievicz, uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) impedia que as motoristas fossem fotografadas com véus ou qualquer outra peça que cubra a cabeça, além de adereços. Ainda assim, garante Marta, as islâmicas já recebiam atenção especial. "Mesmo sem uma resolução para isso, nós fazíamos a captação da fotografia em um ambiente reservado, sem que nenhum homem entrasse em contato com ela", apontou.
Em Londrina, não houve procura no primeiro dia. O chefe local da Ciretran, Márcio Sandoval, diz que esse tipo de solicitação é raro na cidade. Para ele, não haverá problemas na identificação das pessoas, uma vez que o decreto determina regras rígidas para a captura da imagem. "A fotografia deve mostrar a testa, o queixo e o ombro da pessoa descobertos e não vai haver problema algum para identificar as pessoas", garantiu.
O diretor-geral do Detran-PR, Marcos Traad, comenta que a mudança vai resolver também o problema da abordagem policial em blitze de trânsito. "Havia um problema muito grande porque as pessoas que eram retratadas sem o véu eram obrigadas a retirá-los quando eram abordadas por policiais militares. Agora pedimos para aquelas que foram retratadas com o véu, que mantenham o uso do véu quando forem abordadas. Os policiais também receberão orientação nesse sentido."
A medida beneficia também as freiras católicas. Em fevereiro de 2012, a irmã Kelly Cristina Favaretto, de 33 anos, da Congregação das Pequenas Irmãs da Sagrada Família, de Cascavel (Oeste), obteve na Justiça o direito de aparecer na CNH utilizando o hábito.

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