São Paulo, 26 (AE) - Quem passou hoje (26) pela Marginal do Rio Tietê precisou de muita paciência para aguentar o congestionamento. No primeiro ponto de transbordamento do rio, junto à Ponte Aricanduva, a água invadiu a pista expressa às 10h38 e a local, 20 minutos depois. Algumas pessoas ficaram mais de cinco horas retidas.
Nas pistas local e expressa, sentido Lapa-Penha, perto da Ponte da Casa Verde, zona norte, a fila de carros e, principalmente, de caminhões permaneceu praticamente parada, deixando os motoristas ansiosos. Esse era o caso do segurança Fernando Férrer, de 32 anos, que fazia parte de uma escolta para quatro caminhões de carga que tinham de fazer uma entrega às 13h no Tatuapé. "Já estamos quase três horas atrasados, parados, sem sair do lugar." Férrer circulava nervoso por entre os caminhões. "Parados assim a gente vira alvo fácil de assaltantes."
Preocupado também ficou o perueiro José Manoel da Silva, de 40 anos, que estava a caminho da São Paulo Transportes (SPTrans) para recuperar sua Kombi, apreendida numa operação de fiscalização. Silva havia saído de Campo Limpo, na zona sul, ao meio-dia, em direção ao pátio da SPTrans, no Pari, e às 15h ainda estava na Casa Verde.
"Estou chateado porque já tinha a grana certinha para pegar a Kombi", contou. "Agora, com certeza, só vou poder retirá-la amanhã e pagar mais multa por causa disso."
Fé e paciência eram o consolo do caminhoneiro Antônio Manoel da Silva, de 63 anos, encarregado de fazer uma entrega em Guarulhos. Ele saíra de Cotia, na Grande São Paulo, por volta do meio-dia. "Nessas horas não adianta esquentar; a gente sabe que é só chover forte que as coisas se complicam."
Não tão calmo como Silva, o caminhoneiro Luís Tadeu, de 49 anos, lamentava o atraso que o congestionamento lhe causou. Ele havia saído de Tamboré, em Barueri, Grande São Paulo, às 9h30, para pegar uma carga, ao meio-dia, em Mauá, ABC. "Tinha de pegar esse material para entregar em Curitiba, mas perdi o dia e provavelmente vou ter de trabalhar no fim de semana."
Para Tadeu, o problema é agravado pelo número de caminhões que cruzam a cidade em direção a outros Estados. "O governo tinha de fazer mais obras, como alargar as pistas das Marginais, e dar opções aos motoristas que só cortam a cidade."
As amigas Marli Newman, professora, de 44 anos, e Márcia Loureiro, escrevente, de 38, tentavam manter o bom humor ouvindo rádio e contando piadas. Elas saíram de Sorocaba pouco antes do meio-dia em direção ao Brás, região central, numa viagem que normalmente consome uma hora e meia. "Viemos fazer compras, mas agora não sei se vai dar tempo", disse Marli. "O negócio é ter fé em Deus e esperar."
Por causa dos alagamentos, a Companhia de Engenharia do Tráfego (CET) precisou montar bloqueios nas alças de acesso à Marginal, no sentido Lapa-Penha, impedindo motoristas de chegar ao local. Nas imediações das Ponte Aricanduva, zona leste, e das Bandeiras, zona norte, as pistas foram bloqueadas.
A pista local perto da Ponte Aricanduva foi liberada às 20h18, mas a expressa continuava fechada, nos dois sentidos, para limpeza. Pouco depois das 20 horas, o tráfego foi restabelecido nas imediações das Pontes da Vila Maria e Vila Guilherme.

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