São Paulo, 17 (AE) - Motoristas e cobradores de ônibus e metroviários de São Paulo decidiram, em assembléias hoje à tarde
adiar a greve por pelo menos mais uma semana. As duas categorias atenderam a pedido do presidente do Tribunal Regional do Trabalho, Floriano Vaz da Silva. A paralisação estava marcada para a zero hora desta terça-feira. De acordo com sugestão do presidente do TRT, os trabalhadores negociarão com os empresários durante esta semana.
Na segunda-feira (24) haverá nova rodada de negociação entre os representantes dos motoristas e cobradores e dos empresários com os juízes do tribunal. O mesmo acontecerá com os metroviários.
Os 300 motoristas e cobradores, reunidos em assembléia, estavam dispostos a entrar em greve a partir de amanhã , mas o presidente do sindicato, Gregório Poço, conseguiu convencê-los do contrário. "Os empresários estão esperando um tropeço nosso", disse. "Além disso, não podemos ignorar um pedido do presidente do tribunal."
"Nós temos de vencer em nossa luta com a colaboração do TRT", acrescentou. Ele lembrou que os empresários querem colocar em prática a chamada "duas pegadas". "Os motoristas e cobradores trabalham durante três horas no período de pico da manhã e mais três horas no pico da tarde", disse. "E durante o dia o que nós fazemos, ficaremos vagabundeando pelas ruas?" Ele informou que também querem aumentar a jornada de 200 para 220 horas de trabalho, além de reduzir o valor do tíquete de R$ 6,50 para R$ 3,00.
Poço revelou que durante a reunião no TRT os representantes do Transurb, sindicato dos empresários de ônibus de São Paulo, afirmaram que desconheciam a liminar concedida pela Justiça mantendo a convenção coletiva de 98. Diante disso, um dos juízes entregou cópia da liminar, perguntando o que eles fariam agora, pois desde o dia 30 não estão fornecendo tíquete-refeição aos trabalhadores.
"Como os representantes disseram que iam submeter a determinação da liminar aos empresários, o juiz chamou os advogados do Transurb e disse que decisão da Justiça é para ser cumprida e não discutida em assembléia", contou Poço. Ele informou ainda que na segunda-feira haverá uma assembléia de todos os sindicatos da categoria no Estado. "Na terça, poderá ser parado o transporte em toda Grande São Paulo."
Metrô - Cerca de 2.500 metroviários decidiram aceitar a proposta do presidente do TRT. Na segunda-feira o tribunal deverá julgar o dissídio coletivo da categoria. "À tarde faremos assembléia e, se o que for aprovado não atender os interesses da categoria, poderemos ir à greve", disse Onofre Gonçalves Jesus, presidente do Sindicato dos Metroviários.
Até lá, os trabalhadores continuarão mobilizados. Os seguranças continuarão trabalhando com braçadeiras, dizendo que estão em campanha salarial. Na segunda-feira foi marcada uma concentração em frente do prédio do TRT. A categoria reivindica reposição salarial de 2,77%, produtividade de 5%, gatilho salarial quando a inflação chegar a 5% e manutenção de todos os benefícios e empregos.

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