Motoristas e cobradores protestam contra assassinato de colega em SP
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Por Andréa Portella 
São Paulo, 02 (AE) - Motoristas e cobradores pararam hoje o terminal Santo Amaro, na Zona Sul, em protesto pela morte do motorista Valter Gomes Saturino, assassinado ontem por um passageiro. Os ônibus começaram a parar por volta das 7h. Muitos ficaram estacionados dentro do terminal e um grande número foi espalhado pelas ruas próximas, o que ajudou a complicar a situação do trânsito.
No espaço deixado pelos ônibus, as lotações invadiram as ruas da região. Mesmo assim, os pontos estavam abarrotados de gente. "Por um lado, acho que eles têm de se rebelar para mudar a situação", disse o assistente administrativo Fernando Silva de Matos, de 20 anos. "Mas eles estão prejudicando muita gente que precisa trabalhar." Por volta das 13h, Matos tentava ir para casa, em Piraporinha, na zona sul.
Inicialmente, motoristas e cobradores imaginavam fazer o velório de Saturino na subsede do Sindicato, em Santo Amaro, mas o corpo foi levado diretamente do IML para o Cemitério Campo Grande, em Interlagos.
A sala onde foi velado o corpo era pequena para a indignação de amigos, parentes e colegas de trabalho. Ao lado da revolta pela forma banal como Saturino morreu, a dor pela perda de uma pessoa tida como brincalhona e amiga. "Ele adorava brincar com todo mundo", contou o amigo e vizinho Luiz Carlos Nunes Brito, cobrador da Viação Santo Amaro. "Era um bom pai, bom marido, um bom motorista." Uma das irmãs de Saturino, Vanda
contou que o irmão considerava o trabalho uma espécie de diversão. "Ele gostava tanto que não se importava de levantar as 3h para trabalhar", afirmou. "Ele nunca perdeu um dia de trabalho nem chegou atrasado."
Por volta das 16h, um grupo de cerca 200 funcionários de empresas de ônibus chegou ao cemitério. Eles caminharam do terminal ao local onde o corpo estava sendo velado, acompanhados de um carro de som. Alguns ônibus também foram para lá. O grupo rezou pelo colega, de mãos dadas, antes de entrar no cemitério. Um dos diretores da Viação Santo Amaro, que não se identificou, pediu ação da polícia.


