Motoristas e cobradores pedem reajuste
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terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Viviani Costa<br>e Antoniele Luciano Reportagem Local 
Londrina Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol) estiveram ontem na gerência regional do Ministério do Trabalho para negociar o reajuste da categoria. Segundo o presidente do sindicato, João Batista da Silva, os funcionários do setor reivindicam a correção da inflação em 6,5%, além de 4% de aumento relacionado à produtividade. Os trabalhadores também pedem aumento no valor do tíquete alimentação de R$ 5 para R$ 10 e outros benefícios.
Os representantes das empresas não compareceram à reunião. A data-base da categoria é 1º de janeiro. Silva afirmou que as negociações começaram há 45 dias. No entanto, até o momento, não houve uma contraproposta por parte das empresas Londrisul e Transportes Coletivos Grande Londrina, responsáveis pelo serviço na cidade. "O sindicato esperou até agora pelo surgimento de uma proposta. Nessa semana teremos que fazer assembleia com os trabalhadores e dar uma satisfação para eles sobre a negociação", explicou.
O Sinttrol também não descarta a votação de um indicativo de greve. Esta possibilidade deve ser discutida na próxima quinta-feira, quando a assembleia da categoria será realizada em terminais e garagens. "Esperamos que até lá tenhamos uma proposta para debater com os trabalhadores. Veremos se a aceitamos ou não", frisou Silva.
Mais de 1,9 mil trabalhadores atuam no setor. O salário dos cobradores é de R$ 1.234,74. A remuneração dos motoristas varia entre R$ 1.435,23 (para os que conduzem micro-ônibus) e R$ 1.995,37 (para os que trabalham nos ônibus maiores). Conforme o presidente do Sinttrol, reuniões já foram realizadas com representantes das empresas, do sindicato patronal e do poder público.
O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo (Metrolon) informou, por meio da assessoria, que "as empresas não vão deixar de realizar a correção nos salários dos trabalhadores do transporte. Apenas estão aguardando o posicionamento da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para verificar em quais condições poderão efetuar a correção nos salários".
Mediação
O prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), deve intermediar as negociações nos próximos dias. Ontem à tarde, ele se reuniu com representantes dos trabalhadores para ouvir o que pleiteiam. A expectativa é que haja ainda nesta semana um encontro entre representantes da categoria e empresas do setor com a participação do poder público. "Foi uma reunião produtiva, mais de acompanhamento, no sentido de tomar ciência da pauta dos trabalhadores. Sabemos dos obstáculos do setor, das reivindicações dos trabalhadores e dos concessionários", ponderou.
Segundo ele, a prefeitura se colocou à disposição para buscar solução para impasses no decorrer das negociações. Ele admitiu que um possível reajuste pode refletir no aumento da tarifa, mas que isso deve considerar parâmetros técnicos e não políticos. Este valor já estaria, inclusive, sendo especulado para além dos R$ 3. Não há, contudo, data específica para fazer os ajustes no preço do serviço repassado à população.
De acordo com a assessoria de imprensa da CMTU, técnicos da companhia estão analisando planilhas de custo do transporte coletivo para verificar o impacto do aumento dos trabalhadores na tarifa. Os valores em estudo não foram divulgados e também não há previsão para a conclusão dos trabalhos.
O presidente do Sinttrol enfatizou, por sua vez, que não há como separar o reajuste dos funcionários de um possível aumento na tarifa. Por não ser subsidiada, os custos acabam sendo repassados ao usuário, observou. As empresas, conforme Silva, estariam operando em Londrina com prejuízo de R$ 8 milhões ao ano. "No transporte coletivo, 50% do custo tarifário é para salários", pontuou o sindicalista.
A prefeitura enviou ontem à Câmara proposta para ampliar a gratuidade do transporte escolar. A medida, hoje disponível até o 5º ano, deve abranger até o 9º ano do Ensino Fundamental, o Ensino Médio completo e o supletivo. O benefício, conforme Kireeff, deve ser concedido aos estudantes através de recursos do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).


