São Paulo, 17 (AE) - As catracas dos ônibus foram liberadas hoje, no Terminal Santana, em mais um protesto de motoristas e cobradores da capital paulista. A manifestação começou por volta das 16h30 e estendeu-se até as 18h30. A São Paulo Transporte (SPTrans) estima que pelo menos 30 mil passageiros podem ter viajado sem pagar a passagem. Não houve tumultos.
A decisão sobre a forma e o local do protesto foi tomada hoje, na sede do sindicato da categoria. De lá, o grupo de lideranças e militantes saiu em um ônibus e um carro de som com direção à zona norte. O policiamento de trânsito não chegou a montar esquemas especiais de tráfego porque os ônibus circulavam normalmente.
Pequenas confusões ocorreram em alguns pontos onde havia muita gente esperando pelos ônibus. Mas foram resolvidos pelos membros do sindicato que organizavam as filas, para que os passageiros entrassem pela porta traseira dos carros. Os motoristas já deixavam as portas de trás abertas antes de encostar. Tíquete - A categoria vem realizando protestos pelo pagamento do tíquete no valor de R$ 6,50, como determinou o Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Para os motoristas, os vales correspondem a 17% do salário. No caso dos cobradores, 33%. Os vales referentes ao mês de junho ainda não foram pagos - o vencimento foi no dia 30 de maio. Os empresários querem pagar os vales no valor de R$ 3,00. As negociações devem ser retomadas na segunda-feira. Na terça-feira, a categoria faz nova assembléia.
"A tendência é radicalizar e decretar greve geral na semana que vem", disse o secretário geral do sindicato, Alcides Araújo dos Santos. Segundo ele, a forma de protesto poderá ser a catraca livre, a não-circulação dos ônibus ou o estacionamento dos veículos pela cidade. Aceitação - Embora os sindicalistas explicassem os motivos do protesto pelo carro de som, muitos permaneciam alheios à polêmica. Mas a forma de ação teve boa aprovação. "É ótimo dessa maneira porque não atrapalha a gente", disse a auxiliar de enfermagem Maria Dulce Costa de Souza. "Funciona para as reivindicações e não prejudica os passageiros", afirmou Patrícia Ribeiro.
Na sexta-feira, motoristas e cobradores fizeram um protesto semelhante no Parque D. Pedro II. Houve tumultos e o prejuízo foi estimado pela SPTrans em R$ 100 mil. A empresa vai pedir o ressarcimento na Justiça. Mesmo com as viagens de ônibus gratuitas os perueiros clandestinos disseram não ter tido prejuízo. "A perua me deixa na porta de casa", disse ¶ngela Souza. Amanhã (18), haverá assembléia. Pode ocorrer a paralisação de uma garagem ou um protesto na SPTrans.

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