Motoristas dirigem na contramão para fugir de buracos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
Londrina - Na Inglaterra, os motoristas dirigem do lado direito da rua, diferentemente do que ocorre no Brasil. É a chamada ''mão inglesa''. Já em Londrina, cidade fundada por ingleses, alguns condutores também têm sido obrigados a trafegar utilizando esse sentido, mas isso não acontece por conta da influência dos britânicos e tampouco existe uma legislação diferenciada na cidade. O problema existe porque diversas vias estão esburacadas, o que obriga os motoristas a infringir a lei e transitar na contramão.
As ruas do Parque Residencial Vale do Cambezinho (Zona Leste) são um exemplo disso. Elas estão repletas de buracos, obrigando motoristas a realizarem um zigue-zague para circular pelo bairro. A medida, porém, acaba se tornando ineficaz, já que quem consegue escapar de um trecho esburacado acaba caindo em outro ainda mais danificado.
A dona de casa Tatiane Souza reclama do estado de conservação da Rua Brasil Filho. Para ela, o problema é ainda mais grave por conta da circulação constante de ônibus pelo local. ''Além disso, nossas casas também estão sendo afetadas com trincas e rachaduras devido à trepidação provocada pela passagem dos ônibus pelos buracos e a prefeitura até agora não fez nada'', criticou.
A costureira Romilda Côrte Negri decidiu organizar um abaixo-assinado para pedir providências à administração municipal. ''Já coletei mais de cem assinaturas. Faz 18 anos que moro aqui e nunca vi ninguém consertar a rua'', apontou. Ela salientou que as pedras soltas na rua tornam-se muito perigosas quando um veículo passa em alta velocidade. ''As pedras são arremessadas contra as calçadas e contra as casas'', alertou.
Para o entregador Admilson Rodrigues da Silva, a região está esquecida. Ele reivindica consertos urgentes em outras vias da imediações, como as ruas Irmão José Valério de Souza, Jaime Americano, Lázaro Zamenhof, Charles Lindemberg e a Avenida Salgado Filho.
Outro lugar em que motoristas são obrigados a transitar na pista contrária fica na esquina das ruas Alcides Lissi e Emílio Gonzalez Toríbio, no Jardim Paracatu (Zona Norte). No cruzamento há uma ''trincheira'' de cerca de 50 metros de extensão e meio metro de profundidade.
O motorista Claudemir Rafael circula com frequência pelo bairro e relata que quase se envolveu em um acidente ao desviar do buraco no local. ''Isso já está assim há mais de um ano, mas ninguém tomou providência alguma'', cobrou.
A auxiliar de limpeza Regina Smania, que mora no bairro, diz que já ligou para a Secretaria de Obras inúmeras vezes cobrando pelos reparos na pista, mas a recuperação do asfalto ainda não foi realizada. ''Ninguém faz nada. Eu já vi um veículo cair e quebrar a roda ali.''
De acordo com o servidor público Levi Martins Pereira, a falta de manutenção das galerias pluviais provocou o aparecimento do buraco. ''Com os bueiros entupidos as águas passaram direto pelas bocas de lobo e acabaram fluindo por cima da pista e isso fez com que o asfalto ficasse todo estragado'', afirmou.
O secretário municipal de Obras, Bruno Morikawa, diz que todas as ruas identificadas pelo setor com problemas de buracos são colocadas em um cronograma de execução. Ele admite que existem ruas com problemas de pavimentação e argumenta que o trabalho realizado até agora ''corresponde a 35% mais do que fizeram as duas últimas administrações''.


