Motoristas desconhecem conversão de multas
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terça-feira, 02 de julho de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina Grande parte dos motoristas de Londrina ainda não tem conhecimento da norma, que entrou em vigor ontem, que permite converter infrações de trânsito leves e médias em advertência escrita. A medida está prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e na resolução 404 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), mas nunca havia funcionado por falta de regulamentação federal e de sistemas de dados compatíveis.
De acordo com a normatização, o benefício só será concedido aos condutores que não tiverem cometido a mesma infração ou infrações graves nos últimos 12 meses. Irregularidades como estacionar em desacordo com a sinalização, utilizar o celular enquanto dirige, conduzir o veículo sem os documentos obrigatórios e transitar em velocidade superior a máxima permitida em até 20% são algumas das multas que poderão ser abonadas.
As multas leves são punidas com multa de R$ 53,20 e três pontos na CNH. Já o motorista punido por infração média tem que pagar R$ 85,13 e ainda perde quatro pontos.
A FOLHA percorreu ruas do centro de Londrina para ouvir a opinião dos motoristas sobre a nova regra. O bancário Marcelo Moreno Larini, de 26 anos, acredita que, do ponto de vista financeiro, a medida é bem-vinda e facilita a vida de quem utiliza o carro para trabalhar. "Além de não ter que pagar pela infração, não vai acumular o número de pontos na carteira fazendo com que a pessoa tenha que parar de dirigir", apontou. "Eu mesmo, recentemente, tive que passar por uma reciclagem porque havia estourado o limite de 20 pontos."
Já o servidor público Euclides Vaz Bonati, de 56 anos, entende que a nova regulamentação pode incentivar os motoristas a não respeitarem as regras. "Eu acho a medida ruim. O nosso motorista abusa demais e por isso acho que as leis deveriam ser mais severas e não abonar as infrações", opinou. "Há alguns dias recebi uma multa por usar o celular. Tive que pagar e com isso aprendi a lição."
A entregadora Verônica Garcia, de 30 anos, apoia a medida, mas acrescenta que a regra só terá efeito se houver uma conscientização dos motoristas. "Vai depender muito dos condutores. Eu ando o dia todo fazendo entrega no centro e vejo muito desrespeito às leis de trânsito. Quem não respeita não adianta multar e nem dar advertência. Vai continuar fazendo a coisa errada", relatou.
Para a aposentada Orides Terziotti, de 65 anos, somente com multa e uma melhor fiscalização é que será possível diminuir as infrações de trânsito. "As pessoas precisam saber que o trânsito não é brincadeira. A gente vê tanta coisa errada pelas ruas, mas nunca tem ninguém para multar ou fiscalizar na hora que está acontecendo", opinou.
É importante ressaltar que a emissão da advertência não será feita automaticamente. Ao receber a notificação da multa, o motorista terá que encaminhar ao órgão fiscalizador o pedido de conversão da pena dentro do prazo de 15 dias. Apesar de não ter que pagar a multa e não ter os pontos descontados na CNH, a advertência é considerada uma penalidade e ficará registrada no prontuário do motorista.
Segundo o Departamento e Trânsito do Paraná (Detran-PR), no ano passado foram aplicadas 2,6 milhões de multas no Estado. As infrações leves (449 mil) e médias (1 milhão) representaram 54% do total.
Em Londrina, em 2012, de acordo com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), foram confeccionadas 123.515 multas de trânsito. A reportagem não conseguiu contato ontem com o diretor de Trânsito da CMTU, Diógenes Gonçalves.



