Motoristas de ônibus voltam ao trabalho em Campinas
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domingo, 13 de junho de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 14 (AE) - Depois de uma semana de paralisação, os motoristas e cobradores de ônibus de Campinas decidiram voltar hoje (14) ao trabalho. O fim da greve foi decidido durante a madrugada, depois de uma reunião de dez horas entre representantes dos trabalhadores, das empresas e o secretário municipal de Transportes, Amando Telles Coelho. Durante o encontro, Coelho deu um ultimato às duas partes para que chegassem a um acordo.
As empresas concordaram em pagar os vales-refeição, que estavam suspensos desde maio. O pagamento do benefício, porém, será parcelado em três vezes. Segundo o presidente da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), Armando Damasceno, a primeira parcela será paga na próxima segunda-feira, 21. Os outros dois pagamento serão em 30 de junho e 31 de julho.
"Decidimos atender ao apelo da prefeitura e chegamos a um acordo", disse Damasceno. Caso não se entendessem com os grevistas, as empresas continuariam sujeitas a multa no valor de R$ 16 mil por dia, aplicada pela administração municipal. Elas terão de pagar multa referente a três dias.
Surpreende - Os representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Campinas e Região saíram da reunião e seguiram para as garagens das empresas, onde fizeram assembléias com os trabalhadores. Por volta das 5 horas os primeiros ônibus começaram a circular, surpreendendo a população, que esperava por mais um dia de paralisação. Segundo o Sindicato, porém, a categoria continua em estado de greve.
"Se as empresas não pagarem a primeira parcela dos vales-refeição, voltamos a paralisar o sistema na segunda-feira", disse o diretor do Sindicato, Adílio Rodrigues Santos. A greve tinha a adesão de 100% dos 4 mil motoristas e cobradores que trabalham na cidade. O movimento prejudicou cerca de 350 mil pessoas por dia e causou um prejuízo de R$ 7 milhões no comércio local.
O pagamento dos vales-refeição representam uma vitória parcial dos trabalhadores. Segundo Santos, a categoria ainda tentará obter das empresas a recontratação dos 273 empregados demitidos desde maio e o reajuste salarial de 3,88%, aprovado há vinte dias, durante o julgamento do dissídio da categoria. As empresas, porém, já recorreram ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para anular o reajuste, e avisaram que não pretendem readmitir os dispensados.


