Motoristas de ônibus protestam em SP
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de outubro de 1999
Por Gláucia Leal 
São Paulo, 18 (AE) - Motoristas e cobradores de ônibus realizaram duas manifestações hoje, em São Paulo. Uma delas, na zona leste, atrapalhou o trânsito durante toda a manhã na Avenida Ragueb Chohfi, em São Mateus. Os trabalhadores protestavam contra a falta de segurança nos veículos. A confusão começou logo depois que o motorista Oswaldo da Silva Menezes, de 46 anos, da Viação Cidade Tiradentes (VCT), foi baleado em uma tentativa de assalto, pouco antes das 6 horas de hoje. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) chegou a registrar 2,4 quilômetros de congestionamento na avenida, por causa do protesto. A circulação dos ônibus da VCT foi parcialmente paralisada durante quase todo o dia.
O cobrador Anderson Penteado contou a policiais que havia seis passageiros no veículo quando dois homens jovens subiram e ocuparam os primeiros bancos. Logo em seguida eles anunciaram o assalto. Menezes teria pedido que os ladrões tivessem calma, mas, ao tentar frear, foi baleado no ombro esquerdo e no maxilar. Ele foi levado ao Hospital Santa Marcelina e passou por cirurgia. Seu estado era considerado bom hoje à noite. Descontrolado, o veículo atingiu de leve três ônibus que também trafegavam pela pista da direita. Os dois homens saltaram com o ônibus ainda em movimento. Até o começo da noite, eles ainda não tinham sido localizados.
Sindicalistas queriam reunir motoristas da VCT em frente da Secretaria de Segurança e cobrar uma solução para o problema da violência, mas optaram por agendar uma reunião com o secretário para os próximos dias. "Se não tivermos alguma resposta, vamos parar todo o sistema", prometeu o presidente do Sindicato dos Condutores e Cobradores, Gregório Poço. Segundo ele, 14 trabalhadores já morreram este ano, em São Paulo, em assaltos a ônibus. Empregos - Cerca de cem funcionários da Viação Masterbus fizeram um protesto hoje em frente da Secretaria Municipal dos Transportes. Com salários e direitos trabalhistas atrasados, eles reivindicavam apoio para recolocação. A Masterbus tem cerca de 1,5 mil empregados e está com toda a frota lacrada por falta de segurança, desde o início do mês. Sexta-feira esgota-se o prazo para que os ônibus sejam apresentados para nova inspeção da Prefeitura. Caso não estejam adequados, a Masterbus deve perder suas 35 linhas na zona leste.
Os trabalhadores querem ser absorvidos pelas empresas que assumirem as linhas. O secretário dos Transportes, Getúlio Hanashiro, prometeu estudar a possibilidade de fazer os pagamentos de cestas básicas e tíquetes diretamente aos trabalhadores com vencimentos atrasados. Procurados pela reportagem, os proprietários da empresa não foram localizados.


