São Paulo, 23 (AE) - Motoristas e cobradores pretendem transformar a região próxima da Câmara Municipal de São Paulo em um grande estacionamento amanhã (24). O sindicato dos motoristas decidiu hoje parar o maior número de veículos no Viaduto Jacareí como forma de pressionar os vereadores a rejeitar o projeto que regulamenta 4,2 mil lotações. Hoje à tarde, eles ameaçavam deixar 40 veículos no local durante a noite para garantir que os perueiros não pudessem ter acesso à Câmara. "Vamos levar o maior número de carros", disse o presidente do sindicato, Gregório Poço.
Hoje, durante todo o dia, cerca de 350 ônibus ficaram estacionados em frente da Prefeitura. Segundo informações da São Paulo Transportes (SPTrans), a região mais afetada pela paralisação foi a zona leste. Cerca de 300 mil pessoas foram prejudicadas. À tarde, esvaziaram pneus de alguns veículos e bloquearam parcialmente ruas, viadutos e avenidas perto da Prefeitura, causando lentidão em diversas vias do centro. Motoristas e cobradores esperavam se reunir com o prefeito Celso Pitta (sem partido) ou com o secretário dos Transportes, Getúlio Hanashiro, para discutir o fim dos atrasos nos salários e adiantamentos. Não conseguiram. Apenas às 15 horas uma comissão do sindicato foi recebida pelo presidente da SPTrans, Pedro Luiz de Brito Machado. Eles apresentaram a proposta de redução da tarifa de R$ 1,15 para R$ 1,00, a criação de um vale-transporte para desempregados e pediram garantias de estabilidade no emprego. Deixaram o Palácio das Indústrias com a promessa de que as propostas seriam estudadas e com outra reunião marcada para segunda-feira às 15 horas com Hanashiro e o secretário do Governo, Carlos Augusto Meinberg. "Vamos estudar a redução da passagem das linhas de trajetos curtos", disse Machado. "De forma generalizada, não podemos reduzir a tarifa".
A criação do vale para desempregados e a proposta de estabilidade esbarrou no problema de falta de verbas. "Ficamos de voltar a discutir isso", disse Machado. Dívida - A Prefeitura deve cerca de R$ 176 milhões às empresas. Dívida que, de acordo com o diretor-jurídico do Transurb - sindicato que reúne os empresários do setor - Antônio Sampaio Amaral Filho, triplicou nos últimos 12 meses. "A dificuldade das empresas vêm aumentando a cada mês". A Prefeitura havia feito acordo em junho para pagamento da dívida, mas não conseguiu honrar as primeiras parcelas. Um novo acordo, que prevê o parcelamento até agosto de 2000, foi assinado na semana passada. Hanashiro disse que as empresas têm de cortar despesas e aumentar a receita para cobrir a defasagem de 20% entre o custo do sistema e o que é arrecadado. "Cortar frota significa cortar emprego", disse Amaral.

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