São Paulo, 05 (AE) - Motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo prometem parar todas as linhas da capital a partir da meia-noite de hoje. A categoria reivindica o cumprimento de um acordo firmado em 1998 sobre participação nos lucros. O Transurb, sindicato patronal, informa que nem todas as empresas tiveram bons resultados e, por isso, não podem fazer o pagamento.
O acordo foi feito há cerca de um ano e previa participação nos lucros, com base em três critérios: redução de acidentes, de faltas ao trabalho e do número de veículos que quebram no meio do trajeto e precisam ser recolhidos e substituídos. Se todas as metas fossem atingidas, os funcionários teriam direito a aproximadamente 300 reais. Apenas uma empresa, a TransKuba, conseguiu pagar 145 reais. Das 50 restantes, 16 não pagaram nada. Na tarde de hoje, houve uma tentativa de conciliação no Ministério Público (MP), mas sem acordo. A Assessoria de Imprensa do Transurb informou que o sindicato quer a manutenção dos termos firmados em 1998, com o pagamento proporcional aos resultados de cada empresa. O sindicato dos condutores quer estipular o valor em, pelo menos, 200 reais.
Havendo greve, devem ser suspensos o rodízio e a obrigatoriedade de uso de cartões de zona azul. As faixas de ônibus também devem ser liberadas para os veículos comuns, apenas no sentido do fluxo. No contrafluxo, as faixas permanecerão bloqueadas.
Hoje, motoristas e cobradores de ônibus da Eletrobus paralisaram os 325 veículos da empresa, durante a manhã, numa manifestação contrária à instalação de catracas eletrônicas. A greve, que começou às 3 horas, foi encerrada por volta de meio-dia. Aproximadamente 1.360 funcionários participaram da paralisação, que atingiu mais de 32 mil passageiros. A empresa opera 16 linhas, que servem as zonas leste e central da cidade.
Os funcionários dizem que a empresa não está cumprindo o decreto assinado há aproximadamente um ano pelo prefeito Celso Pitta (sem partido), que proibia a demissão de cobradores em razão da instalação dos equipamentos eletrônicos. "Nenhuma empresa está cumprindo o decreto", acusou o representante do sindicato da categoria, José Nilson Canobre. De acordo com cálculos da comissão de garagem da empresa, aproximadamente 150 funcionários foram demitidos desde julho.
O representante dos funcionários, Vanderlei Marques, disse que está sendo feita uma grande pressão psicológica sobre os cobradores. "Não temos ambiente para trabalhar", afirmou. "O funcionário acaba pedindo demissão ou cometendo erros." Segundo ele, os aparelhos estão sendo colocados nos ônibus, numa garagem de cada vez para diluir os efeitos da medida. "É uma tentativa de diminuir o impacto social."
A diretoria da empresa esteve reunida na tarde de hoje com o sindicato e representantes da empresa São Paulo Transporte (SPTrans), mas não houve acordo sobre a manutenção dos cobradores nos ônibus. Com a possibilidade de greve geral amanhãe, as negociações devem ser retomadas nos próximos dias.

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