São Paulo, 13 (AE) - Os principais corredores e terminais de ônibus de São Paulo devem ficar bloqueados amanhã (14), entre 10 horas e meio-dia, num protesto promovido por motoristas e cobradores. A categoria reivindica o pagamento dos tíquetes de alimentação que deveriam ter sido entregues no dia 30 de junho. Hoje, por causa da morte de um motorista, funcionários da Viação São José paralisaram os trabalhos.
"A orientação é estacionar os ônibus pela cidade na faixa da direita", explicou hoje o secretário-geral do sindicato dos motoristas e cobradores, Alcides Araújo dos Santos. De acordo com ele, serão fechados os terminais Santo Amaro, Jabaquara, Itaquera, Barra Funda e Cachoeirinha. A decisão sobre o protesto foi tomada ontem, em assembléia da categoria. Se a situação se mantiver, poderá ser decretada greve geral. Uma nova assembléia foi marcada pelo sindicato para sexta-feira.
Segundo Santos, 50 das 54 empresas do sistema devem a cada funcionário 27 tíquetes no valor de R$ 6,50. Ontem, em reunião com a categoria, o Transurb, sindicato patronal, propôs o parcelamento da dívida em cinco vezes. Os empresários alegam que a Prefeitura não tem pago a dívida com as empresas. Atrasos no pagamento dos vales vêm ocorrendo há alguns meses. O dissídio foi julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que manteve o valor dos tíquetes e ainda concedeu reajuste de 3,88%, índice superior ao que vinha sendo reivindicado. Os empresários recorreram ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) e conseguiram apenas o cancelamento do reajuste. Os vales foram mantidos. Morte - Hoje, cerca de 1,3 mil funcionários da Viação São José não trabalharam, em protesto pela morte do motorista Cleone Andrade Silva, de 39 anos, assassinado durante assalto, na noite de ontem, enquanto trabalhava na linha 2756 (Guaianases - Metrô Patriarca). Só em maio, a Viação São José registrou 70 assaltos. A zona leste é a região onde mais ocorrem assaltos a ônibus na cidade.
Em assembléia, os funcionários decidiram voltar ao trabalho depois do sepultamento do colega, que ocorreu por volta das 18 horas, no Cemitério de Itaquera. O sindicato da categoria voltou a reivindicar segurança. "Queremos a criação de uma coordenadoria, que havia sido prometida pelo secretário José Afonso da Silva (ex-secretário de Segurança Pública), para que haja uma política de segurança na área dos transportes", afirmou Santos.
O sindicato defende a realização de blitze nos terminais
pontos e também dentro dos ônibus. "Isso inibiria os assaltos", acredita o secretário-geral. "Também é preciso tranquilizar a população, que está assustada com tudo o que vem acontecendo".

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