Motoristas de ônibus de SP programam paralisações relâmpagos para pressionar empresários do setor
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domingo, 02 de maio de 1999
Por Mauro Carvalho da Silva 
São Paulo, 03 (AE) - Paralisações relâmpagos de uma hora uma hora e meia nas principais avenidas, nos terminais e nas portas das garagens, fora do horário de pico do movimento, são algumas das manifestações que a diretoria do Sindicato dos Motoristas e Cobradores promete realizar a partir de amanhã (04) para pressionar os empresários a negociar as reivindicações salariais da categoria. A decisão foi tomada por pelo menos 600 trabalhadores reunidos em assembléia realizada hoje em frente do prédio do sindicato na Rua Pirapitingui, na Liberdade, centro da cidade.
A proposta de greve não foi aprovada - pelo menos para os próximos dias. "A categoria quer receber primeiro o salário de abril que vence amanhã", disse Alcides Araújo dos Santos, o Amazonas, secretário-geral do sindicato. "Com o dinheiro no bolso é mais fácil parar", acrescentou. Justiça - No início da noite, quando ainda a assembléia transcorria, a juíza Vânia Paranhos, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), concedeu liminar ao Sindicato dos Motoristas e Cobradores determinando que as empresas de ônibus mantenham todas as cláusulas contidas na convenção Coletiva de Trabalho vigente de 1.º de maio de 98 a 30 de maio de 99 "até que seja pactuado novo acordo Convenção Coletiva que venha substituí-la ou ainda seja proferida sentença normativa".
Com isso, os empresários terão que manter a concessão de todos os benefícios, inclusive do vale-refeição, que as empresas ameaçaram não fornecer mais, alegando falta de recursos financeiros. Caso os empresários não cumpram a determinação, a juíza fixou uma multa de R$ 10 mil por dia ao Transurb, sindicato das empresas, e a São Paulo Transportes (SPtrans). "Essa decisão da Justiça também contribuiu para que a greve não saia agora", afirmou Amazonas. Nova assembléia da categoria acontecerá na sexta-feira. Reunião - Pela manhã, os representantes dos trabalhadores e dos empresários estiveram reunidos no Hotel Danúbio, na Avenida Brigadeiro Luis Antônio. Enquanto diretores do sindicato dos trabalhadores, na Avenida Brigadeiro Luis Antônio, paravam cerca de 15 ônibus, obrigando os passageiros a descer, os patrões, no Hotel Danúbio, se negavam a conceder de 3,5% a 4% de reajuste salarial, gatilho salarial toda vez que a inflação atingir 5%, produtividade de 5%, vale-refeição de R$ 10,00 (hoje é de R$ 6 50) e plano de saúde.
"Os empresários aceitaram 51 itens da pauta de reivindicações", disse Amazonas. "São itens sociais que não causam gastos financeiros", acrescentou. Os patrões apresentaram uma proposta de substituir os vales-refeição pelo fornecimento de marmitex aos motoristas e cobradores nos pontos finais das linhas. "Essa é uma proposta ridícula", reagiu Amazonas. Na segunda-feira, haverá nova rodada de negociação entre empregados e patrões.


