São Paulo, 04 (AE) - Os motoristas e cobradores das empresas de ônibus urbanos de São Paulo ameaçam paralisar o sistema caso o salário da categoria não seja depositado até as 12 horas de amanhã (05). O Transurb, sindicato que reúne as empresas de ônibus, informou que a Secretaria das Finanças repassou hoje R$ 11,9 milhões para as companhias. Mas a direção do sindicato dos trabalhadores quer que os salários sejam pagos integralmente, o que chega a uma quantia de R$ 46 milhões.
Se a greve realmente acontecer, parte dos 4,5 milhões de passageiros que usam os ônibus diariamente enfrentarão problemas para encontrar condução. "A empresa que não pagar, vai parar", garantiu o secretário-geral do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, Alcides Araújo dos Santos, o Amazonas.
De acordo com ofício enviado pelo Transurb, o sindicato patronal, a direção do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, há falta de recursos financeiros para efetuar os pagamentos. Alega, que a Prefeitura está devendo o repasse de R$ 108 milhões. Depósito - Hoje, a Secretaria de Finanças depositou R$ 11,9 milhões na conta das empresas, mas, segundo a assessoria de imprensa do Transurb, o dinheiro é insuficiente, uma vez que existe uma "dificuldades global". A folha de pagamento das 54 empresas somam R$ 46 milhões, incluindo encargos trabalhistas. Sem os encargos, fica em R$ 30 milhões.
Na Secretaria de Finanças circulavam, hoje, informações que outros R$ 19 milhões seriam depositados amanhã, mas a direção do Transurb não recebeu nenhuma confirmação a respeito. Algumas empresas poderão até fazer os pagamentos amanhã, pois, ao contrário de outras, recebem valor das passagens mais em "dinheiro vivo" do que em passes e vales, segundo a assessoria. Evasão - O Transurb também esclareceu que, embora o valor das passagens tenha sido reajustado para R$ 1,15, a arrecadação não aumentou, pois houve uma queda no número de passageiros transportados. Em janeiro deste ano foram transportados 88 milhões. Desde 1983 não se transportava menos de 100 milhôes de passageiros por dia.
Em 1997, as empresas transportavam uma média de 6 milhões de pessoas por dia. Agora, esse número caiu para 4,5 milhões. A maioria dos passageiros preferiu as peruas de lotação, mais eficientes, rápidas e baratas.
Na opinião do presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, Gregório Poço, "o trabalhador não tem nada a ver isso; ele trabalhou e quer receber seu salário". Para ele, é sempre a mesma história: a Prefeitura não está repassando a verba. "O dono da farmácia, do supermercado ou da casa não quer saber disso, ele quer que o trabalhador pague em dia".
O presidente da São Paulo Transporte S.A. (SPTrans), Pedro Luis de Brito Machado, acredita que as empresas terão condições de efetuar os pagamentos amanhã. Pelos seus cálculos, as empresas de ônibus devem arrecadar nas catracas R$ 6 milhões e mais R$ 10 milhões com a venda de vales-transporte e passes. Paralisação - "Não queriamos fazer greve, pois a população tem enfrentando um caos nesta cidade devido as enchentes, mas não há outro jeito", disse Poço.
O problema se repete. Em dezembro, motoristas e cobradores fizeram várias paralisações devido a falta de pagamento dos salários, horas extras e até do 13º salário, que muitas empresas saldaram apenas depois do dia 20 de janeiro.
Os piquetes deverão agir na porta das garagens das empresas que não efetuarem o pagamento. "Não pretendemos parar nas ruas, para não tumultuar o trânsito", explicou Amazonas.

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