São Paulo, 27 (AE) - Na terça-feira mais uma vez a cidade de São Paulo poderá ficar sem ônibus. Os motoristas e cobradores fazem assembléia na segunda-feira, às 16 horas, para discutir a decisão das empresas de ônibus urbanos da cidade de suspender o acordo coletivo, não concedendo reajuste salarial nem os benefícios, como vale-refeição. "Essa decisão é uma provocação e a categoria vai entrar em greve no dia seguinte se até lá os empresários não voltarem atrás", ameaçou o secretário-geral do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, Alcides Araújo dos Santos, o Amazonas. A paralisação, no entanto
poderá ser decretada a partir do dia 5, quando será feito o pagamento do mês de abril. Segundo um diretor, "é mais fácil parar com dinheiro no bolso".
O prefeito Celso Pitta também não concorda com a visão pessimista dos empresários de ônibus urbanos da cidade de que o setor vive uma das suas maiores crises, agravada com a perda de 2,5 milhões de passageiros, em três anos; atraso no pagamento pela Prefeitura dos serviços prestados pelas empresas e a proliferação das peruas clandestinas de lotação. "Isso é conversa de quem não tem visão empresarial", reagiu o prefeito. "Venho da iniciativa privada, onde o talento e a vontade de resolver os problemas são a solução".
Pitta entende que "não é tentando transferir para o governo uma ineficiência empresarial que eles vão resolver o problema". Irritado com a informação da Transurb, sindicato das empresas de ônibus, ter suspendido as negociações com os trabalhadores, o prefeito afirmou: "Atingi meu limite de paciência em relação a essas empresas e, alguns setores de atividade, que só vêem o governo como uma teta para resolver seus problemas de ineficiência gerencial". Pitta disse que não vai permitir isso, "muito menos com o dinheiro do povo". Ao ser indagado se as queixas dos empresários era choro ou chantagem, o prefeito respondeu: "Classifique como quiser, mas não cola". A diretoria da Transurb não quis comentar as declarações do prefeito.
Segundo os empresários, a Prefeitura deve R$ 120 milhões as empresas, o equivalente a 40 dias de operação. Amazonas reconhece que as empresas não estão recebendo em dia da Prefeitura e estão sofrendo uma "concorrência predatória" das peruas clandestinas. "Mas não fomos nós que criamos isso", afirmou. "A categoria trabalha honestamente e quer receber seus direitos".
Para amanhã (28), às 11 horas, a diretoria do Sindicato dos Motoristas e Cobradores organizou uma manifestação em frente o prédio da Câmara Municipal. "Vamos pedir que a CPI apure as irregularidades que acontecem no setor de transporte da cidade"
informou Amazonas. "Também somos favoráveis a regulamentação do serviço de lotação feito pelas peruas, com seus proprietários pagando impostos, taxas e obedecendo a legislação do setor, pois senão o caos vai aumentar", acrescentou.

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