Campinas, SP, 17 (AE) - Os 4,1 mil motoristas e cobradores de ônibus de Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo, ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira (22), prejudicando pelo menos 300 mil pessoas. A proposta de paralisação será apresentada pelo sindicato da categoria em assembléia marcada para sexta-feira. Os trabalhadores estão revoltados com os constantes atrasos no pagamento dos salários. "Parece que os empresários estão brincando com a gente", disse hoje o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Campinas e Região, Otávio Vieira de Melo. Nos últimos quatro meses, a categoria já realizou três greves, todas pelo mesmo motivo.
Na segunda-feira, a Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc) enviou um comunicado ao sindicato, anunciando que vai atrasar em seis dias os salários de fevereiro dos motoristas e cobradores. Segundo o comunicado, o adiantamento de 40%, previsto para sexta-feira, só será depositado no dia 26. Apenas no dia 11 de março, as empresas vão pagar os 60% restantes, em vez de fazê-lo no dia 5, como previsto. Déficit - De acordo com a Transurc, a atual crise econômica causou uma queda na venda de vales-transporte, uma das principais fonte de receita das empresas. A entidade alega que as permissionárias estariam registrando déficit mensal de R$ 2 milhões. A última greve da categoria por atraso nos salários ocorreu em 13 de janeiro quando os trabalhadores paralisaram o serviço de transporte por seis horas, prejudicando cerca de 70 mil passageiros.
A paralisação mais longa ocorreu nos dias 24, 25 e 26 de novembro, quando 900 mil pessoas ficaram sem transporte. Em média, cerca de 300 mil pessoas utilizam os ônibus todos os dias na cidade.

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