Os motoristas dos 1.500 caminhões sul-americanos de cargas que fecharam a fronteira Brasil-Argentina, em Foz do Iguaçu (Brasil) e Puerto Iguazú (Argentina), terminaram ontem o bloqueio de 36 horas que organizaram para protestar pela falta de unificação das leis trabalhistas para a categoria, reivindicando principalmente o estabelecimento de cláusulas sociais iguais ou semelhantes para eles dentro dos países-membros do Mercosul.
Funcionários da Receita Federal brasileira na Ponte Tancredo Neves (Brasil-Argentina) informaram à Folha que desde o final da tarde de anteontem, a situação já estava se normalizando para os veículos que transportavam cargas de exportação destinadas à Argentina.
Mas assim que iniciaram a travessia - Brasil/Argentina e vice-versa - os motoristas depararam com outro problema: a excessiva lentidão de atendimento dos funcionários aduaneiros de Puerto Iguazú na liberação dos documentos. Irritados, alguns avaliaram, no final da tarde, a possibilidade de um novo protesto, o que não aconteceu. As cargas são compostas de pescados, carnes congeladas, produtos lácteos, frutas, combustíveis, e outros produtos.
A burocracia acabou produzindo um congestionamento no trevo do lado argentino, e acionou o Esquadrão 13 da Gendarmería (polícia) Argentina. Soldados passaram a patrulhar o trecho entre o trevo e os boxes de fiscalização de cargas e controle da migração, mas não houve incidentes. Puerto Iguazú fica na Província de Misiones (Argentina), a 16 quilômetros do centro de Foz do Iguaçu.
Caminhões e carretas que estavam parados numa fila superior a 10 quilômetros na Ruta 12, em território argentino, mesmo adiantando-se, não conseguiram ultrapassar a fronteira brasileira normalmente para seguir viagem pela BR-277 (Rodovia Foz do Iguaçu-Curitiba-Paranaguá). Eles trazem, também, todo tipo de cargas, inclusive perecíveis. Desde o início do protesto, motoristas e sindicalistas do Cone Sul orientaram o trânsito na Ruta 12 e ali mesmo improvisaram suas refeições.
O bloqueio dos caminhoneiros de diversos países foi simultâneo em Foz do Iguaçu (na fronteira com Argentina e também com Paraguai), Paso de Los Libres (Argentina/Uruguai), Las Cuevas (Argentina/Chile) e Encarnación-Posadas (Paraguai/Argentina). Todos foram levantados após 36 horas de protesto.
Reivindicações Ao terminar o bloqueio, os integrantes da Comissão Sindical de Transporte do Mercosul concluíram um documento, que foi imediatamente enviado aos presidentes da República reunidos em Fortaleza (CE). Na carta, a comissão reforça a posição da categoria, tomada após uma reunião feita em 2 de dezembro em Assunção (Paraguai).
O documento, assinado por centrais de trabalhadores em empresas de transportes, exige da cúpula do Mercosul ‘‘respeito aos convênios e resoluções da Organização Internacional do Trabalho (OIT).’’ Sugere um convênio regional para o transporte terrestre, estabelecendo condições de trabalho iguais para os trabalhadores do transporte dos países integrantes do bloco.
Igualmente reivindica dos governos o controle efetivo sobre a jornada de trabalho dos caminhoneiros, item relacionado diretamente à seguridade no transporte. E pede ainda: o reconhecimento e o respeito aos direitos da negociação coletiva por atividade; aumento e equiparação dos salários no transporte, com o objetivo de evitar falhas sociais e a competência baseada em baixos salários; e instalações sanitárias dignas para a classe.

mockup