Motoristas de Brasília entram em greve; 800 mil ficam sem transporte
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Chico Araújo, especial para a ae 
Brasília, 17 (AE) - Motoristas e cobradores de ônibus de Brasília entraram em greve hoje e deixando cerca de 800 mil pessoas sem transporte. Um ônibus foi queimado e mais de uma centena depredados. Apesar da paralisação, a Secretaria de Transportes do Distrito Federal informou o funcionamento das repartições públicas não foi comprometido. Segundo o secretário de Transportes do DF, Abdala Carim Nabut, as empresas contrataram motoristas para manter 30% da frota em funcionamento. Os motoristas reclamam o cumprimento de acordo coletivo.
O Sindicato dos Rodoviários de Brasília contesta os números de Nabut. De acordo com o diretor de imprensa do sindicato, Gecivaldo Epifânio Dourado, cerca de 1.800 dos 2.200 ônibus que trafegam em Brasília não circularam hoje. Dourado assegura também que não passou de 40 o número de ônibus depredados.
Greve - Por causa da greve, o metrô de Brasília, que está parado há mais de um ano, foi colocado em funcionamento em caráter excepcional. "O metrô pemancerá funcionando o tempo que for necessário", disse Nabut. Segundo ele, entraram em funcionamento as linhas onde há maior fluxo de passageiros como das cidades-satélites de Taguatinga, Guará e águas Claras.
A greve foi deflagrada porque as empresas - 12 - não cumprirem o acordo feito em junho de 1999, que prevê o pamento integral do tíquete-refeição, quiquênio, abono de férias de sete dias, além da redução da jornada de trabalho para 6 horas corridas diárias. Pelo despacho da juíza Terezinha Célia, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), o acordo deveria ser cumprido até dia 14 deste mês, o que não aconteceu.
Os trabalhadores pararam suas atividades e ameaçam só retornar ao trabalho quando as empresas cumprirem a determinação da Justiça do Trabalho. "Só vamos negociar com os empresários quando nossos direitos forem respeitados", disse Epifânio Dourado.
Abdala Nabut afirma que a "greve é política" e afirma não haver motivos para paralisação. De acordo com Nabut, o Sindicato dos Rodoviários deflagrou a greve para "aparecer" em função das eleições da categoria marcadas para daqui a um mês. "A paralisação é por direitos adquiridos por nós que estão sendo negados", garante Dourado.O sindicalista afirma ainda que Nabut comete "um grave equívoco" quando tenta dar conotação política à greve dos rodoviários de Brasília.


